Gravidez Precoce em Dobro
O Brasil é conhecido como um dos países com um dos maiores índices de aborto do mundo. São mais de três milhões por ano.
Paralelo a esse número, é crescente também o índice de meninas com menos de 20 anos que não só assumiram a responsabilidade pela gravidez em idade precoce, mas já anunciaram aos pais a chegada de um segundo filho.
Em todo o país, são 240 mil adolescentes que já experimentaram a segunda maternidade. É o equivalente à população de uma cidade como Limeira(interior de SP).
Se o governo estava preocupado com a primeira gravidez entre meninas, já decidiu colocar em prática um plano de prevenção para orientar as jovens que acabam ignorando métodos anticoncepcionais e engravidam de novo. Problemas à vista, porque os dados de pesquisas recentes mostram que está aumentando o número de mães adolescentes com dois filhos.
Os dados e uma análise aprofundada da questão foram elaborados pela ginecologista Albertina Duarte, coordenadora do Programa de Saúde do Adolescente do Estado de São Paulo, em sua tese de doutorado, defendida no fim do ano passado.
A pesquisadora constatou que entre 1.800 garotas atendidas no Hospital das Clínicas de São Paulo nos últimos 11 anos, houve um aumento de 17% no número das que estavam na segunda gravidez.
Qual a razão para isso? Segundo outro estudo, feito pela Universidade Federal de São Paulo, 19 meninas, de um grupo de 20, com idade entre 15 e 19 anos e com histórico de mais de uma gravidez disseram conhecer formas de evitar a concepção.
A questão passa a ser, então, de responsabilidade. Mas de quem?
Seria do próprio casal, que na "hora H" esquece ou despreza a importância do método contraceptivo?
Seria dos pais, que vão se ausentando da vida dos filhos à medida que eles vão entrando na adolescência e se interessando por valores estranhos aos dos genitores?
O problema pede respostas urgentes, porque está em jogo a qualidade de vida dos bebês e de toda a estrutura familiar, além de um fator essencial que normalmente nem é considerado na hora de se pensar sobre o assunto: a questão espiritual.
A situação difícil fica bem clara no depoimento de uma menina que já foi mãe duas vezes. Vanessa Conceição Barbosa tem 19 anos. Engravidou pela primeira vez aos 16 e pela segunda aos 18. Mora em Pirituba, zona oeste da capital paulista.
A primeira gravidez ocorreu quando ela estava na 7ª série. A garota parou de estudar e as amigas se afastaram. "Só minha mãe me ajudou", afirmou a menina.
Assim como Vanessa, 13% das garotas de 15 a 24 anos que haviam se casado abandonaram a escola. Os motivos alegados foram gravidez ou falta de tempo para cuidar dos filhos.
Os psicólogos afirmam que o abandono da escola só não é inevitável quando a adolescente conta com uma estrutura familiar sólida.
Foi o caso de Daniela de Oliveira, outra jovem entrevistada de 19 anos. Para ela, a ajuda dos pais está sendo fundamental para que não largue os estudos. Quanto à experiência precoce como mãe duas vezes, disse que "não ligava para os métodos anti-concepção, apesar de conhecê-los. Foi criancice mesmo", reconhece. Daniela é mãe de Leonardo, 3 anos, e de Guilherme, 1 ano.
Trocar a escola pelas obrigações junto aos filhos é apenas um dos dilemas que envolvem a questão da gravidez precoce.
Problema sério que deve ser tratado imediatamente é o grande contingente de "filhos de avós", crianças criadas e educadas pelos pais da garotada que anda abusando da fertilidade.
Avós não são pais, embora tenham educado filhos durante boa parte da vida. Mesmo que a diferença de idade entre os pais e os filhos seja pequena(hoje não é mais novidade pais se tornarem avós com 34, 35 anos), está em jogo uma questão fundamental, que é a responsabilidade em assumir o resultado de uma relação sexual irresponsável, no sentido do casal não ter tomado as providências necessárias para evitar uma gravidez indesejada.
A orientação fundamental sugerida pelo Espiritismo a esse respeito é que haja muito diálogo entre os integrantes das mocidades espíritas, inclusive da pré-mocidade e turmas mais avançadas da evangelização infantil, sobre o tema sexualidade, para que a liberdade natural com que a Doutrina trata de quaisquer assuntos se reflita em informações bem fundamentadas, que tragam segurança para os jovens na hora de conviver com as circunstâncias trazidas pela vida.
Em tudo, é necessário responsabilidade e preparo. Se a certeza de que uma gravidez indesejada pode alterar profundamente a convivência dentro do lar, faz-se necessário pensar com tranqüilidade e sem pressa sobre o momento mais adequado para se iniciar a vida sexual.
Deve ser agora, só porque o parceiro está pressionando? O casal tem segurança suficiente para assumir as conseqüências de uma atividade sexual plena?
São perguntas pertinentes ao ambiente da reflexão espírita, próprias de quem está disposto a crescer em um clima de liberdade de pensamento aliado à responsabilidade pelo que se faz.
Mesmo diante do perfil esclarecedor da Doutrina, de características elevadas quanto ao trato com temas fundamentais como a vida, não é lícito inferir que pelo fato da menina ter ficado grávida ainda na adolescência tudo já estava previsto em sua programação reencarnatória.
Receber alguém como filho é uma experiência muito importante na vida de uma pessoa para que tal processo seja tratado de qualquer maneira pelos benfeitores espirituais, no momento de planejar uma nova existência.
Os "filhos" assumidos antes da reencarnação podem até ser esses mesmos Espíritos. O problema é que a inconseqüência e o imediatismo fazem com que eles venham antes do momento certo, que acontece toda vez que o casal não dá o tempo necessário à convivência e ao conhecimento um do outro para que laços mais profundos, traçados no plano espiritual, se consolidem, em benefício de todos.
Gravidez precoce, portanto, é experiência que pode e deve ser evitada, em favor do amadurecimento e da conscientização dos adolescentes. E métodos contraceptivos não existem para que os jovens brinquem com as forças sexuais, mas, pelo contrário, as eduquem, auxiliando-os a entrar com pés firmes em um mundo pleno de criatividade e explosão de forças criadoras, conforme é o da sexualidade ativa.
Carlos Augusto Abranches
" A ausência de fé ou de uma crença consciente, na vida de um indivíduo, diminui a sua resistência e a capacidade de reação ao mundo, tornando-o presa dos instintos de sua natureza animal. Torna-se, assim , um causador de moléstias a si mesmo e aos outros, e tudo pelo pouco conhecimento que tem do básico e da verdade".
Quem sou eu
- Madomare
- São José dos Campos, São Paulo, Brazil
- "Sou como você me vê. Posso ser leve como uma brisa ou forte como uma ventania. Depende de quando e como você me vê passar. (Clarice Lispector)
quarta-feira, 17 de setembro de 2008
sábado, 26 de julho de 2008
PAULO FREIRE SABIA QUE...
"A luta dos professores em defesa de seus direitos e de sua dignidade deve ser entendida como um momento importante de sua prática docente, enquanto prática ética. Não é algo que vem de fora da atividade docente, mas algo que dela faz parte" ( Paulo Freire)
"Um dos piores males que o poder público vem fazendo a nós, no Brasil, historicamente, desde que a sociedade brasileira foi criada, é o de fazer muitos de nós correr o risco de, a custo de tanto descaso pela educação pública, existencialmente cansados, cair no indiferentismo fatalistamente cínico que leva ao cruzamento dos braços. 'Não há o que fazer' é o discurso acomodado que não podemos aceitar." ( Paulo Freire
"Um dos piores males que o poder público vem fazendo a nós, no Brasil, historicamente, desde que a sociedade brasileira foi criada, é o de fazer muitos de nós correr o risco de, a custo de tanto descaso pela educação pública, existencialmente cansados, cair no indiferentismo fatalistamente cínico que leva ao cruzamento dos braços. 'Não há o que fazer' é o discurso acomodado que não podemos aceitar." ( Paulo Freire
ESTAMOS EM ESTADO DE GREVE
DESPERTAR É PRECISO
Na primeira noite, eles se aproximam e colhem uma flor de nosso jardim. E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem, pisam as flores, matam nosso cão.
E não dizemos nada.
Até que um dia, o mais frágil deles, entra sozinho em nossa casa, rouba-nos a lua, e, conhecendo nosso medo, arranca-nos a voz da garganta.
E porque não dissemos nada,
já não podemos dizer nada. (Maiakovski )
Primeiro levaram os negros
Mas não me importei com isso
Eu não era negro
Em seguida levaram alguns operários
Mas não me importei com isso
Eu também não era operário
Depois prenderam os miseráveis
Mas não me importei com isso
Porque eu não sou miserável
Depois agarraram uns desempregados
Mas como tenho meu emprego
Também não me importei
Agora estão me levando
Mas já é tarde.
Como eu não me importei com ninguém
Ninguém se importa comigo. (Bertold Brecht (1898-1956)
Um dia vieram e levaram meu vizinho que era judeu.
Como não sou judeu, não me incomodei.
No dia seguinte, vieram e levaram meu outro vizinho que era comunista.
Como não sou comunista, não me incomodei .
No terceiro dia vieram e levaram meu vizinho católico.
Como não sou católico, não me incomodei.
No quarto dia, vieram e me levaram;
já não havia mais ninguém para reclamar... (Martin Niemöller)
E AGORA JOSÉ
E AGORA MARIA
E AÍ PROFESSOR
E AÍ PROFESSORA
VAMOS CONTINUAR CALADOS?
ATÉ QUANDO???
Na primeira noite, eles se aproximam e colhem uma flor de nosso jardim. E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem, pisam as flores, matam nosso cão.
E não dizemos nada.
Até que um dia, o mais frágil deles, entra sozinho em nossa casa, rouba-nos a lua, e, conhecendo nosso medo, arranca-nos a voz da garganta.
E porque não dissemos nada,
já não podemos dizer nada. (Maiakovski )
Primeiro levaram os negros
Mas não me importei com isso
Eu não era negro
Em seguida levaram alguns operários
Mas não me importei com isso
Eu também não era operário
Depois prenderam os miseráveis
Mas não me importei com isso
Porque eu não sou miserável
Depois agarraram uns desempregados
Mas como tenho meu emprego
Também não me importei
Agora estão me levando
Mas já é tarde.
Como eu não me importei com ninguém
Ninguém se importa comigo. (Bertold Brecht (1898-1956)
Um dia vieram e levaram meu vizinho que era judeu.
Como não sou judeu, não me incomodei.
No dia seguinte, vieram e levaram meu outro vizinho que era comunista.
Como não sou comunista, não me incomodei .
No terceiro dia vieram e levaram meu vizinho católico.
Como não sou católico, não me incomodei.
No quarto dia, vieram e me levaram;
já não havia mais ninguém para reclamar... (Martin Niemöller)
E AGORA JOSÉ
E AGORA MARIA
E AÍ PROFESSOR
E AÍ PROFESSORA
VAMOS CONTINUAR CALADOS?
ATÉ QUANDO???
domingo, 20 de abril de 2008
Ensino de Línguas
Ensino de Línguas (41) artigos
[ "Odds or evens" ]
A influência do folclore brasileiro no ensino de língua estrangeira
No ato de ensinar o professor traz consigo as lembranças das vivências como aluno e como ser no mundo desde a infância à vida atual, e entre elas está presente as artes folclóricas. [ A importância das datas comemorativas na aula de inglês ]
Valentine’s Day, Mother’s Day, Easter, Father’s Day, Halloween, Thanksgiving, Christmas…
Valentine’s Day, Mother’s Day, Easter, Father’s Day, Halloween, Thanksgiving, Christmas… Essas são algumas das datas comemorativas que podem e devem ser exploradas... [ Abreviações da Internet ]
Fast and Furious on MSN
[ Although & Even Though ]
Compreendendo e expressando os contrastes
[ Are you coming or are you going? ]
Come and go - what`s the difference?
[ As múltiplas expressões do verbo “to take” ]
Collocations with “take”
[ Bate-bola nas aulas de inglês ]
A copa do mundo nas aulas de ensino de línguas
[ Behind the words: Speak, talk, say and tell ]
Iguais, mas diferentes...
[ Birth and life of the English Language ]
A História da Língua Inglesa
[ Business English ]
To achieve success in business you have to communicate...
[ Conjunções ]
[ Countable and Uncountable Nouns ]
Erros comuns na utilização da língua Inglesa
[ Do & Make ]
Fazendo a diferença...
[ Don’t be confused! ]
still, yet e already
[ Each & Every ]
Just like the same...
[ Enganos e Desenganos ]
Erros comuns na utilização da língua inglesa
[ Estratégias para desenvolver seu inglês ]
Use o universo cultural e social para facilitar a aprendizagem
[ Everyday Idioms ]
O cotidiano através de expressões idiomáticas
[ Expressões Coloquiais ]
[ Falsos Cognatos ]
Quando somos enganados pelas palavras...
[ Football or Soccer? French Fries or Chips? ]
Diferenças entre o inglês norte-americano e o britânico
[ Halloween ]
Permitir ou não sua comemoração na escola?
[ I Missed or Lost the keys? ]
Palavras de Múltiplos Sentidos
[ Improve your English ]
Avoid some common mistakes
[ Irregular Verbs ]
Tirando dúvidas e desenrolando a língua
[ More than words ]
A riqueza dos provérbios e dizeres nas aulas de inglês
[ O que você precisa para aprender uma língua estrangeira? ]
As interferências no aprendizado de línguas...
[ Os contos de fadas nas aulas de Língua Inglesa ]
[ Phrasal Verbs ]
Combinações que dinamizam a linguagem
[ Prepositions of Time and Place ]
Como lidar um pouco melhor com as preposições em inglês
[ Promovendo a Inclusão nas Aulas de Inglês ]
Recursos e práticas que auxiliam os deficientes visuais
[ Quantos pensamentos passam pela sua cabeça por dia? ]
Antes de se falar em indisciplina em sala de aula, é importante primeiramente tentar entender quem são os alunos que temos atualmente e em que época eles vivem. Pare um pouco e reflita sobre esta afirmação: Você e seus alunos não tiveram o mesmo tipo de infância e, como conseqüência, o mesmo tipo de acesso às informações. [ Reading more, reading better ]
10 Dicas para aprimorar a leitura de seus textos em inglês
[ Reported Speech ]
Por vias indiretas...
“Reported Speech” é o discurso indireto. Usado para relatar o que aconteceu em um diálogo, sem que precisemos usar aspas ou citações. [ Slang ]
Gírias do Inglês
[ Slang ]
Por que ensinar gírias nas aulas de inglês?
Segundo o Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea (2001), língua é um "sistema de signos vocais, que podem ser transcritos graficamente, comuns a um povo, a uma nação, a uma cultura constituindo o seu instrumento de comunicação". [ Teacher, how can I say … in English? ]
Perguntas inusitadas nas aulas de Inglês
[ Tecnologia na Aula de Inglês ]
Learning english with computers, softwares and internet
As etapas normalmente realizadas durante uma aula de inglês como explanação de conteúdos, atividades lúdicas, exercícios escritos e orais podem ser desenvolvidas e aplicadas através da utilização de ferramentas tecnológicas como multimídia, processador de texto e etc. [ Tongue-twisters ]
A literatura dentro da sala de aula
[ Weights, Measures and Units ]
An authentic Tower of Babel
[ Words of Connection (Conectivos) ]
Pontos de encontro para as palavras
Copyright © 2000 Planeta Educação
Todos os direitos reservados
[ "Odds or evens" ]
A influência do folclore brasileiro no ensino de língua estrangeira
No ato de ensinar o professor traz consigo as lembranças das vivências como aluno e como ser no mundo desde a infância à vida atual, e entre elas está presente as artes folclóricas. [ A importância das datas comemorativas na aula de inglês ]
Valentine’s Day, Mother’s Day, Easter, Father’s Day, Halloween, Thanksgiving, Christmas…
Valentine’s Day, Mother’s Day, Easter, Father’s Day, Halloween, Thanksgiving, Christmas… Essas são algumas das datas comemorativas que podem e devem ser exploradas... [ Abreviações da Internet ]
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[ Each & Every ]
Just like the same...
[ Enganos e Desenganos ]
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[ Estratégias para desenvolver seu inglês ]
Use o universo cultural e social para facilitar a aprendizagem
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O cotidiano através de expressões idiomáticas
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Quando somos enganados pelas palavras...
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[ Improve your English ]
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As interferências no aprendizado de línguas...
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[ Phrasal Verbs ]
Combinações que dinamizam a linguagem
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Como lidar um pouco melhor com as preposições em inglês
[ Promovendo a Inclusão nas Aulas de Inglês ]
Recursos e práticas que auxiliam os deficientes visuais
[ Quantos pensamentos passam pela sua cabeça por dia? ]
Antes de se falar em indisciplina em sala de aula, é importante primeiramente tentar entender quem são os alunos que temos atualmente e em que época eles vivem. Pare um pouco e reflita sobre esta afirmação: Você e seus alunos não tiveram o mesmo tipo de infância e, como conseqüência, o mesmo tipo de acesso às informações. [ Reading more, reading better ]
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Gírias do Inglês
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Segundo o Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea (2001), língua é um "sistema de signos vocais, que podem ser transcritos graficamente, comuns a um povo, a uma nação, a uma cultura constituindo o seu instrumento de comunicação". [ Teacher, how can I say … in English? ]
Perguntas inusitadas nas aulas de Inglês
[ Tecnologia na Aula de Inglês ]
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As etapas normalmente realizadas durante uma aula de inglês como explanação de conteúdos, atividades lúdicas, exercícios escritos e orais podem ser desenvolvidas e aplicadas através da utilização de ferramentas tecnológicas como multimídia, processador de texto e etc. [ Tongue-twisters ]
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CINEMA NA EDUCAÇÃO
CINEMA NA EDUCAÇÃO
João Luís Almeida Machado Editor do Portal Planeta Educação; Doutorando pela PUC-SP no programa Educação:Currículo; Mestre em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie(SP); Professor universitário e Pesquisador.
Uma lição de amor
Emoção a flor da pele
Sean Penn é um dos atores mais talentosos de sua geração. Não bastasse todo o talento que possui enquanto ator, Penn é uma das personalidades mais ativas e destacadas em termos de posicionamentos políticos que ousam desafiar a ordem estabelecida, opondo-se a direcionamentos e atitudes do governo americano e, colocando em risco suas economias para bancar projetos cinematográficos nos quais acredita.
"Uma lição de amor" vem comprovar a coerência de Penn, tanto por seu talento dramático (numa atuação que lhe valeu indicação ao Oscar) quanto por sua dedicação a causas justas, com as quais se identifica.
Se nos lembrarmos que na Antiguidade Clássica, particularmente entre os romanos, era comum o sacrifício de pessoas que apresentassem deficiências físicas ou mentais, podemos dizer que a sociedade evoluiu, aprimorou-se. Se, por outro lado, imaginarmos que há várias barreiras que ainda não foram transpostas, principalmente aquelas que dizem respeito à forma como os deficientes são encarados e tratados pelas outras pessoas, percebemos que ainda há muitas mudanças a serem implementadas.
O personagem Sam (interpretado de forma tocante por Sean Penn) vive dentro de condições que poderíamos considerar como adequadas no contexto atual, no que tange a uma pessoa deficiente que possui a idade mental equivalente a de uma criança de 7 anos de idade. Tem seu próprio apartamento, está empregado em uma lanchonete onde atua como garçom, recebe seus amigos para assistir vídeos clássicos e cuida de sua filhinha...
É justamente nesse ponto que as autoridades resolvem interferir, partindo do princípio de que Sam (Penn) seria incapaz de resolver os problemas e criar adequadamente a menina, especialmente a partir do momento em que ela ultrapassasse a capacidade mental do pai (o que ela estava prestes a fazer). A assistência social resolve tirar-lhe a guarda da criança e privar-lhe do direito de pleno exercício da paternidade respaldando-se na tese de que Sam é deficiente mental.
O filme nos coloca diante de uma situação singular, onde percebemos com clareza as impossibilidades de Sam e, ao mesmo tempo, vivenciamos através das imagens uma experiência única de paternidade, pautada numa relação carregada de emoção e presença, de participação e doação por parte do pai em relação à filha.
Some-se a tudo isso, a frieza do sistema judiciário norte-americano, onde a justiça despreza pormenores que podem ser decisivos para a solução de um caso traumático de separação entre pai e filha e temos uma idéia da trama do filme. Observem também que o contraponto da experiência vivida por Sam pode ser visto na figura de sua advogada de defesa, Rita Harrison (Michelle Pfeiffer), uma linda e bem sucedida profissional que mal tem tempo para ouvir o que seu filho tem a lhe dizer...
O filme
Sam Dawson (Sean Penn) ajeita nervosamente os saquinhos de adoçante e procura colocá-los em ordem. Todos têm que estar com o rótulo numa determinada direção e, com as palavras em posição que permita que sejam lidas. Essa sua disposição por ordem e arrumação não consegue fazer com que deixemos de perceber que Sam é uma pessoa que apresenta deficiências, visíveis a partir de seus tiques, de sua movimentação e de sua exasperação.
Em seu ambiente de trabalho conseguiu cativar aos colegas e, em sua vida particular, vive rodeado de amigos que, como ele, também apresentam dificuldades advindas de impossibilidades mentais.
Um acontecimento diferenciado, no entanto, marca a vida de Sam para sempre. Ao abrigar uma mulher sem-teto, acaba fazendo com que ela engravide. Cumprido o período de gestação, Sam sai do hospital acompanhado da mãe e com o bebê no colo. A mãe foge e abandona Sam e a recém-nascida. Inicia-se dessa forma uma relação totalmente diferenciada de paternidade.
Sam acolhe e cuida da criança com o auxílio de uma vizinha reclusa (vivida pela experiente Dianne Wiest). Alguns anos passam e a pequena Lucy Diamond Dawson (Dakota Fanning) se torna uma menina esperta e saudável, próxima de completar 7 anos de idade.
Quando a assistência social descobre que Sam (possuidor de idade mental equivalente a de uma criança de 7 anos) está criando a pequena Lucy, inicia-se uma luta judicial pelos direitos de criação e educação da menina. Lucy passa aos cuidados do juizado e, Sam tem que provar, com o auxílio de sua advogada Rita Harrison (Michelle Pfeiffer) que é plenamente capaz de amar e criar Lucy.
Prepare suas emoções! E não esqueça de deixar uma caixa de lenços do lado da poltrona...
Aos professores
1- Provoque a sensibilidade de seus alunos. Pergunte a eles como reagem quando em contato com pessoas que apresentam deficiências físicas ou mentais. Estimule-os a não agir movidos por um sentimento de piedade e, sim, a pensar essa relação como uma oportunidade de crescer, de auxiliar, de aprender e de desenvolver um sentimento verdadeiro de solidariedade. Os estudantes têm que entender que devem ajudar as pessoas deficientes a construir uma auto-estima positiva e de valorização pessoal e não de misericórdia e compaixão (lástima).
2- Há "uma lição de amor" no filme dada por Sam aos pais e mães que tanto se preocupam com a manutenção material de seus filhos e deixam de lado a afeição, a proximidade e a atenção que as crianças pedem, praticamente demandam e necessitam cotidianamente de seus pais. Temos prestado muito pouca atenção a isso e, as conseqüências futuras desse descaso podem ser percebidas e interpretadas a partir de atos de violência, apego às drogas, dificuldades de socialização, desinteresse pelos estudos e tantas outras situações. É preferível antecipar-se a problemas como esses a ter que remediá-los posteriormente!
3- Como o judiciário brasileiro reagiria diante de uma situação como essa? O filme pode servir como fio condutor de uma pesquisa de campo, com entrevistas a juízes, promotores e advogados ou ainda, consulta a códigos legais relativos a questão de família. Pode-se ainda questionar até que ponto nossos valores e orientações de base cristã católica nos levariam a agir de outra maneira no que se refere à situação apresentada no filme.
4- Traçar um paralelo entre os personagens de Sam (Sean Penn) e Rita Harrison (Michelle Pfeiffer) nos leva a pensar a respeito do caos que se instaura em nossas vidas em virtude do ritmo acelerado e do excesso de compromissos com os quais estamos envolvidos. Deixamos de lado nossa inocência e nossa meninice para assumirmos responsabilidades, em algum trecho desse caminho acabamos perdendo o rumo e deixamos de sorrir, de nos sensibilizar, de amar com intensidade, de nos divertir...
Obs. A trilha sonora do filme é recheada de sucessos inesquecíveis dos Beatles, que serviram de inspiração para a vida do personagem Sam e o estimularam a dar o nome Lucy Diamond a sua filha (título de uma das mais famosas canções do mais conhecido grupo de rock de todos os tempos, "Lucy in the Sky with Diamonds", que serviria de mensagem cifrada para LSD, ou seja, ácido lisérgico, droga das mais pesadas, utilizada com certa freqüência durante os anos 1960 e 1970).
João Luís Almeida Machado
Mestre em Educação, Arte e História da Cultura (Universidade Presbiteriana Mackenzie, em São Paulo);
Professor universitário atuando na Faculdade Senac em Campos do Jordão; Professor de Ensino Médio e
Fundamental em Caçapava, SP; Editor do Portal Planeta Educação
Ficha Técnica
Uma lição de amor
(I am Sam)
País/Ano de produção:- EUA, 2001
Duração/Gênero:- 133 min., Drama
Disponível em VHS e DVD
Direção de Jessie Nelson
Roteiro de Jessie Nelson e Kristine Johnson
Elenco:- Sean Penn, Michelle Pfeiffer, Dianne Wiest,
Laura Dern, Dakota Fanning, Joseph Rosenberg, Brad Silverman.
Links
- http://e-pipoca.cidadeinternet.com.br/filmes_zoom.cfm?id=3793
- http://www.adorocinema.com/filmes/licao-de-amor/licao-de-amor.htm
- http://www.cineguia.com.br/index.shtml?cod_filme=CNA23979&rg=0
- http://www.newline.com/sites/iamsam/ (site oficial)
João Luís Almeida Machado Editor do Portal Planeta Educação; Doutorando pela PUC-SP no programa Educação:Currículo; Mestre em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie(SP); Professor universitário e Pesquisador.
Uma lição de amor
Emoção a flor da pele
Sean Penn é um dos atores mais talentosos de sua geração. Não bastasse todo o talento que possui enquanto ator, Penn é uma das personalidades mais ativas e destacadas em termos de posicionamentos políticos que ousam desafiar a ordem estabelecida, opondo-se a direcionamentos e atitudes do governo americano e, colocando em risco suas economias para bancar projetos cinematográficos nos quais acredita.
"Uma lição de amor" vem comprovar a coerência de Penn, tanto por seu talento dramático (numa atuação que lhe valeu indicação ao Oscar) quanto por sua dedicação a causas justas, com as quais se identifica.
Se nos lembrarmos que na Antiguidade Clássica, particularmente entre os romanos, era comum o sacrifício de pessoas que apresentassem deficiências físicas ou mentais, podemos dizer que a sociedade evoluiu, aprimorou-se. Se, por outro lado, imaginarmos que há várias barreiras que ainda não foram transpostas, principalmente aquelas que dizem respeito à forma como os deficientes são encarados e tratados pelas outras pessoas, percebemos que ainda há muitas mudanças a serem implementadas.
O personagem Sam (interpretado de forma tocante por Sean Penn) vive dentro de condições que poderíamos considerar como adequadas no contexto atual, no que tange a uma pessoa deficiente que possui a idade mental equivalente a de uma criança de 7 anos de idade. Tem seu próprio apartamento, está empregado em uma lanchonete onde atua como garçom, recebe seus amigos para assistir vídeos clássicos e cuida de sua filhinha...
É justamente nesse ponto que as autoridades resolvem interferir, partindo do princípio de que Sam (Penn) seria incapaz de resolver os problemas e criar adequadamente a menina, especialmente a partir do momento em que ela ultrapassasse a capacidade mental do pai (o que ela estava prestes a fazer). A assistência social resolve tirar-lhe a guarda da criança e privar-lhe do direito de pleno exercício da paternidade respaldando-se na tese de que Sam é deficiente mental.
O filme nos coloca diante de uma situação singular, onde percebemos com clareza as impossibilidades de Sam e, ao mesmo tempo, vivenciamos através das imagens uma experiência única de paternidade, pautada numa relação carregada de emoção e presença, de participação e doação por parte do pai em relação à filha.
Some-se a tudo isso, a frieza do sistema judiciário norte-americano, onde a justiça despreza pormenores que podem ser decisivos para a solução de um caso traumático de separação entre pai e filha e temos uma idéia da trama do filme. Observem também que o contraponto da experiência vivida por Sam pode ser visto na figura de sua advogada de defesa, Rita Harrison (Michelle Pfeiffer), uma linda e bem sucedida profissional que mal tem tempo para ouvir o que seu filho tem a lhe dizer...
O filme
Sam Dawson (Sean Penn) ajeita nervosamente os saquinhos de adoçante e procura colocá-los em ordem. Todos têm que estar com o rótulo numa determinada direção e, com as palavras em posição que permita que sejam lidas. Essa sua disposição por ordem e arrumação não consegue fazer com que deixemos de perceber que Sam é uma pessoa que apresenta deficiências, visíveis a partir de seus tiques, de sua movimentação e de sua exasperação.
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Um acontecimento diferenciado, no entanto, marca a vida de Sam para sempre. Ao abrigar uma mulher sem-teto, acaba fazendo com que ela engravide. Cumprido o período de gestação, Sam sai do hospital acompanhado da mãe e com o bebê no colo. A mãe foge e abandona Sam e a recém-nascida. Inicia-se dessa forma uma relação totalmente diferenciada de paternidade.
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Prepare suas emoções! E não esqueça de deixar uma caixa de lenços do lado da poltrona...
Aos professores
1- Provoque a sensibilidade de seus alunos. Pergunte a eles como reagem quando em contato com pessoas que apresentam deficiências físicas ou mentais. Estimule-os a não agir movidos por um sentimento de piedade e, sim, a pensar essa relação como uma oportunidade de crescer, de auxiliar, de aprender e de desenvolver um sentimento verdadeiro de solidariedade. Os estudantes têm que entender que devem ajudar as pessoas deficientes a construir uma auto-estima positiva e de valorização pessoal e não de misericórdia e compaixão (lástima).
2- Há "uma lição de amor" no filme dada por Sam aos pais e mães que tanto se preocupam com a manutenção material de seus filhos e deixam de lado a afeição, a proximidade e a atenção que as crianças pedem, praticamente demandam e necessitam cotidianamente de seus pais. Temos prestado muito pouca atenção a isso e, as conseqüências futuras desse descaso podem ser percebidas e interpretadas a partir de atos de violência, apego às drogas, dificuldades de socialização, desinteresse pelos estudos e tantas outras situações. É preferível antecipar-se a problemas como esses a ter que remediá-los posteriormente!
3- Como o judiciário brasileiro reagiria diante de uma situação como essa? O filme pode servir como fio condutor de uma pesquisa de campo, com entrevistas a juízes, promotores e advogados ou ainda, consulta a códigos legais relativos a questão de família. Pode-se ainda questionar até que ponto nossos valores e orientações de base cristã católica nos levariam a agir de outra maneira no que se refere à situação apresentada no filme.
4- Traçar um paralelo entre os personagens de Sam (Sean Penn) e Rita Harrison (Michelle Pfeiffer) nos leva a pensar a respeito do caos que se instaura em nossas vidas em virtude do ritmo acelerado e do excesso de compromissos com os quais estamos envolvidos. Deixamos de lado nossa inocência e nossa meninice para assumirmos responsabilidades, em algum trecho desse caminho acabamos perdendo o rumo e deixamos de sorrir, de nos sensibilizar, de amar com intensidade, de nos divertir...
Obs. A trilha sonora do filme é recheada de sucessos inesquecíveis dos Beatles, que serviram de inspiração para a vida do personagem Sam e o estimularam a dar o nome Lucy Diamond a sua filha (título de uma das mais famosas canções do mais conhecido grupo de rock de todos os tempos, "Lucy in the Sky with Diamonds", que serviria de mensagem cifrada para LSD, ou seja, ácido lisérgico, droga das mais pesadas, utilizada com certa freqüência durante os anos 1960 e 1970).
João Luís Almeida Machado
Mestre em Educação, Arte e História da Cultura (Universidade Presbiteriana Mackenzie, em São Paulo);
Professor universitário atuando na Faculdade Senac em Campos do Jordão; Professor de Ensino Médio e
Fundamental em Caçapava, SP; Editor do Portal Planeta Educação
Ficha Técnica
Uma lição de amor
(I am Sam)
País/Ano de produção:- EUA, 2001
Duração/Gênero:- 133 min., Drama
Disponível em VHS e DVD
Direção de Jessie Nelson
Roteiro de Jessie Nelson e Kristine Johnson
Elenco:- Sean Penn, Michelle Pfeiffer, Dianne Wiest,
Laura Dern, Dakota Fanning, Joseph Rosenberg, Brad Silverman.
Links
- http://e-pipoca.cidadeinternet.com.br/filmes_zoom.cfm?id=3793
- http://www.adorocinema.com/filmes/licao-de-amor/licao-de-amor.htm
- http://www.cineguia.com.br/index.shtml?cod_filme=CNA23979&rg=0
- http://www.newline.com/sites/iamsam/ (site oficial)
segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008
O assassinato da literatura, segundo Todorov
Tzvetan Todorov lamenta a concepção redutora das letras nas escolas, crítica e autores
Justo Barranco (Em Barcelona)
"Estamos assassinando a literatura." Ou "na escola hoje não se aprende de que falam os livros, mas de que críticos falam." São duas das afirmações que Tzvetan Todorov (nascido em Sófia, Bulgária, em 1939), um dos teóricos da literatura com maior influência nas últimas décadas, lança em seu último livro, "La literatura en perill" (editora Galáxia Gutenberg), recém-apresentado junto com "Los aventureros del absoluto", um ensaio sobre Wilde, Rilke e Tsvietaieva. Todorov diz que "La literatura en perill" não é um "mea culpa", mas que se sente "um pouco responsável" pela situação atual. "Nos anos 60 e 70 tentei equilibrar os estudos literários -então divididos em países e séculos- contribuindo com uma abordagem mais interna da literatura", de suas estruturas e formas.
A partir da situação da literatura na França de hoje, de seu ensino, seus críticos e certas correntes dos escritores atuais que parecem não lhe agradar muito, Todorov, que vive nesse país desde 1963, se interroga, segundo diz, "sobre a própria identidade da literatura em nosso mundo contemporâneo". "No livro estudo a evolução da literatura desde o século das luzes até o presente, e essa evolução parece levar a uma separação entre a literatura e a vida dos homens e mulheres comuns. E eu evidentemente defendo a tese oposta: que a literatura está profundamente ligada à compreensão da condição humana. Se não, já teria desaparecido", afirma.
"Os alunos na escola não compreendem por que têm estudos literários, de letras, nos quais aprendem figuras de retórica ou procedimentos narrativos. Pensam que os preparam exclusivamente para a profissão de professor de literatura. E é absurdo que seja assim, porque a literatura não serve para preparar professores de literatura. Ao contrário, é para um melhor conhecimento do ser humano, e disso todos temos necessidade", lamenta.
Ele indica que "demonstra certa falta de humildade o fato de impor nossas próprias teorias sobre as obras, em vez das obras em si". "Voltar a centrar o ensino das letras nos textos corresponderia, sem dúvida, aos desejos ocultos da maioria dos professores, que escolheram seu ofício porque amam a literatura. É a literatura que está destinada a todo o mundo, e não os estudos literários", reclama.
Escritores e críticos
Mas, diz Todorov, "a concepção redutora da literatura não se manifesta só nas aulas das escolas ou das universidades; também é representada em abundância entre os jornalistas que resenham os livros e inclusive entre os próprios escritores". Nesse sentido, salienta, "houve uma evolução que faz que os criadores dêem a impressão de escrever para a crítica, algo que também acontece com a pintura e a arte conceitual".
E ataca três correntes de escritores: os formalistas, nos quais a literatura só fala dela mesma, com construções engenhosas, simetrias e ecos diversos; a corrente niilista, "segundo a qual os homens são estúpidos e malvados e a destruição e a violência mostram a verdade da condição humana, vendo a vida como o advento de um desastre"; e uma vertente do niilismo: o solipsismo, no qual "quanto mais repugnante for o mundo mais fascinante é o eu". O autor solipsista, diz Todorov, "descreve em todo detalhe suas mínimas emoções".
E o assunto, diz ele, "não é que a literatura seja uma técnica de cura anímica, mas pode transformar cada um de nós por dentro". Acrescenta que "o leitor comum, que continua buscando nas obras que lê algo que dê sentido a sua vida, tem razão de se opor aos professores, críticos e escritores que lhe dizem que a literatura só fala de si mesma, ou que só ensina a desesperança". Porque, na opinião de Todorov, "o que os romances nos dão não é um novo saber, mas uma nova capacidade de comunicação com seres diferentes de nós". "E pensar e sentir adotando o ponto de vista dos outros, pessoas reais ou personagens literários, é o único meio de caminhar para a universalidade, e isso inclui os livros que o crítico profissional considera com condescendência, senão com menosprezo, desde 'Os Três Mosqueteiros' até 'Harry Potter'".
Todorov "aconselharia [os professores] a partir de textos em que haja um interesse evidente para os alunos e ir progressivamente para textos mais distantes, de mundos que lhes sejam mais estranhos. E falar do que falam os livros e não só do livro. Creio que todos os alunos podem se reconhecer nas histórias de identidade, amor, depressão ou violência que os livros contam. É preciso fazer que os alunos voltem a encontrar o interesse pela literatura."
Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves
Visite o site do La Vanguardia
Justo Barranco (Em Barcelona)
"Estamos assassinando a literatura." Ou "na escola hoje não se aprende de que falam os livros, mas de que críticos falam." São duas das afirmações que Tzvetan Todorov (nascido em Sófia, Bulgária, em 1939), um dos teóricos da literatura com maior influência nas últimas décadas, lança em seu último livro, "La literatura en perill" (editora Galáxia Gutenberg), recém-apresentado junto com "Los aventureros del absoluto", um ensaio sobre Wilde, Rilke e Tsvietaieva. Todorov diz que "La literatura en perill" não é um "mea culpa", mas que se sente "um pouco responsável" pela situação atual. "Nos anos 60 e 70 tentei equilibrar os estudos literários -então divididos em países e séculos- contribuindo com uma abordagem mais interna da literatura", de suas estruturas e formas.
A partir da situação da literatura na França de hoje, de seu ensino, seus críticos e certas correntes dos escritores atuais que parecem não lhe agradar muito, Todorov, que vive nesse país desde 1963, se interroga, segundo diz, "sobre a própria identidade da literatura em nosso mundo contemporâneo". "No livro estudo a evolução da literatura desde o século das luzes até o presente, e essa evolução parece levar a uma separação entre a literatura e a vida dos homens e mulheres comuns. E eu evidentemente defendo a tese oposta: que a literatura está profundamente ligada à compreensão da condição humana. Se não, já teria desaparecido", afirma.
"Os alunos na escola não compreendem por que têm estudos literários, de letras, nos quais aprendem figuras de retórica ou procedimentos narrativos. Pensam que os preparam exclusivamente para a profissão de professor de literatura. E é absurdo que seja assim, porque a literatura não serve para preparar professores de literatura. Ao contrário, é para um melhor conhecimento do ser humano, e disso todos temos necessidade", lamenta.
Ele indica que "demonstra certa falta de humildade o fato de impor nossas próprias teorias sobre as obras, em vez das obras em si". "Voltar a centrar o ensino das letras nos textos corresponderia, sem dúvida, aos desejos ocultos da maioria dos professores, que escolheram seu ofício porque amam a literatura. É a literatura que está destinada a todo o mundo, e não os estudos literários", reclama.
Escritores e críticos
Mas, diz Todorov, "a concepção redutora da literatura não se manifesta só nas aulas das escolas ou das universidades; também é representada em abundância entre os jornalistas que resenham os livros e inclusive entre os próprios escritores". Nesse sentido, salienta, "houve uma evolução que faz que os criadores dêem a impressão de escrever para a crítica, algo que também acontece com a pintura e a arte conceitual".
E ataca três correntes de escritores: os formalistas, nos quais a literatura só fala dela mesma, com construções engenhosas, simetrias e ecos diversos; a corrente niilista, "segundo a qual os homens são estúpidos e malvados e a destruição e a violência mostram a verdade da condição humana, vendo a vida como o advento de um desastre"; e uma vertente do niilismo: o solipsismo, no qual "quanto mais repugnante for o mundo mais fascinante é o eu". O autor solipsista, diz Todorov, "descreve em todo detalhe suas mínimas emoções".
E o assunto, diz ele, "não é que a literatura seja uma técnica de cura anímica, mas pode transformar cada um de nós por dentro". Acrescenta que "o leitor comum, que continua buscando nas obras que lê algo que dê sentido a sua vida, tem razão de se opor aos professores, críticos e escritores que lhe dizem que a literatura só fala de si mesma, ou que só ensina a desesperança". Porque, na opinião de Todorov, "o que os romances nos dão não é um novo saber, mas uma nova capacidade de comunicação com seres diferentes de nós". "E pensar e sentir adotando o ponto de vista dos outros, pessoas reais ou personagens literários, é o único meio de caminhar para a universalidade, e isso inclui os livros que o crítico profissional considera com condescendência, senão com menosprezo, desde 'Os Três Mosqueteiros' até 'Harry Potter'".
Todorov "aconselharia [os professores] a partir de textos em que haja um interesse evidente para os alunos e ir progressivamente para textos mais distantes, de mundos que lhes sejam mais estranhos. E falar do que falam os livros e não só do livro. Creio que todos os alunos podem se reconhecer nas histórias de identidade, amor, depressão ou violência que os livros contam. É preciso fazer que os alunos voltem a encontrar o interesse pela literatura."
Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves
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"Condicionamento ..."
“Não acredite em qualquer coisa simplesmente porque você escutou.
Não acredite em qualquer coisa simplesmente porque foi dito e fofocado por muitos.
Não acredite em qualquer coisa simplesmente porque foi encontrado escrito em seus livros religiosos.
Não acredite em qualquer coisa meramente na autoridade de seus professores e anciãos.
Não acredite em tradições porque elas foram passadas abaixo por gerações.
Mas após observação e análise, quando você descobre que qualquer coisa concorda com a razão e é condutivo ao bem e benefício de um e todos,
então aceite e viva para isso."
Siddartha Gautama
Não acredite em qualquer coisa simplesmente porque foi dito e fofocado por muitos.
Não acredite em qualquer coisa simplesmente porque foi encontrado escrito em seus livros religiosos.
Não acredite em qualquer coisa meramente na autoridade de seus professores e anciãos.
Não acredite em tradições porque elas foram passadas abaixo por gerações.
Mas após observação e análise, quando você descobre que qualquer coisa concorda com a razão e é condutivo ao bem e benefício de um e todos,
então aceite e viva para isso."
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As meninas
Minhas meninas...meus amores
FERNANDO, JOAQUIM, ...grandes pensadores
Fernando Antonio Nogueira Pessoa (1888-1935, Lisboa), poeta e escritor português. Pessoa é considerado junto de Luís Vaz de Camões um dos mais importantes poetas de Língua Portuguesa.
“Amo como ama o amor. Não conheço nenhuma outra razão para amar senão amar. Que queres que te diga, além de que te amo, se o que quero dizer-te é que te amo?”
“As vezes ouço passar o vento; e só de ouvir o vento passar, vale a pena ter nascido.”. “Para viajar basta existir.”
“Tenho em mim todos os sonhos do mundo.”
“Tudo vale a pena quando a alma não é pequena”
"O valor das coisas não está no tempo
em que elas duram, mas
na intensidade com que acontecem.
Por isso existem momentos
inesquecíveis,coisas inexplicáveis
e pessoas incomparáveis".
(Fernando Pessoa)
"O que se precisa para ser feliz? Trabalho e amor." [Sigmund Freud]
"Um país se faz com homens e livros". (Monteiro Lobato)
SAI - AMA - 2007
"O tempo é o campo do desenvolvimento humano." [Karl Marx]
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Um país se faz com homens e livros
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Para a treva só há um remédio, a luz.
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"Cem frases que resumissem a sabedoria universal tornariam dispensáveis os livros." [Carlos Drummond de Andrade]
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"Descobri que a leitura é uma forma servil de sonhar. Se tenho de sonhar, porque não sonhar os meus próprios sonhos? " [Fernando Pessoa]
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