" A ausência de fé ou de uma crença consciente, na vida de um indivíduo, diminui a sua resistência e a capacidade de reação ao mundo, tornando-o presa dos instintos de sua natureza animal. Torna-se, assim , um causador de moléstias a si mesmo e aos outros, e tudo pelo pouco conhecimento que tem do básico e da verdade".
Quem sou eu
- Madomare
- São José dos Campos, São Paulo, Brazil
- "Sou como você me vê. Posso ser leve como uma brisa ou forte como uma ventania. Depende de quando e como você me vê passar. (Clarice Lispector)
domingo, 5 de outubro de 2008
Joaquim Maria Machado de Assis
Um pintor de paredes mulato e uma portuguesa de prendas domésticas foram os pais do menino Joaquim Maria Machado de Assis, neto de escravos alforriados, pobre e epiléptico, nascido em 21 de junho de 1839, no morro do Livramento, Rio de Janeiro, uma cidade então suja, malcheirosa e com uma população estimada de 300 mil habitantes, metade escravos.
Nos primeiros anos, com certeza, o menino freqüentou a Chácara do Livramento, sob a proteção da madrinha, senhora muito rica, dona da propriedade.
Aos seis anos, presenciou a morte da única irmã. Quatro anos mais tarde, morre-lhe a mãe. Em 1854 o pai casou-se com Maria Inês. Aos quatorze anos, Joaquim Maria ajudava a madastra a vender doces para sustentar a casa, tarefa difícil depois da morte do pai. Não se sabe se freqüentou regularmente a escola. O que se sabe é que, adolescente, já se interessava pela vida intelectual da Corte, onde trabalhou como caixeiro de livraria, tipógrafo e revisor, antes de se iniciar como jornalista e cronista.
Em 6 de janeiro de 1855, a Marmota Fluminense publicou o poema "A palmeira". Nada de excepcional, era apenas a estréia literária de Joaquim Maria Machado de Assis. O jornal em que se publicou o poema era editado numa livraria que havia se transformado em ponto de encontro dos escritores da época. Foi lá que Machado de Assis ganhou protetores como Paulo Brito (dono da livraria) , Manuel Antônio de Almeida, já conhecido romancista, e um padre que ensinava latim ao adolescente. Logo Machado de Assis já era membro da redação da Marmota Fluminense. Outros jornais passaram a publicar seus trabalhos.
Machado de Assis, homem da cidade, cada vez mais se distanciava de Joaquim Maria, menino do subúrbio. Nas roupas, na postura, na expressão. Os meios literários da Corte tornavam-se, pouco a pouco, terreno conhecido para ele. E ele tornava-se cada vez mais conhecido nesse terreno.
Machado de Assis escrevia sobre a vida fluminense, as óperas, corridas, patinação, pleito eleitoral e muitas outras coisas, surpreendendo por um estilo sutilmente irônico, que logo ia tornar-se marca registrada de sua obra. Sua crônicas ainda hoje têm atualidade, pois ele conseguiu extrair reflexões profundas de fatos corriqueiros, tocando a essência daquilo que observava com um meio riso de contemplação. E quase sempre esse riso trazia, implícita ou explicitamente, uma advertência. Em Machado de Assis, o fato em si tinha menor importância, o que interessava era a reflexão que esse fato provocava.
Machado cronista escreveu para diversos jornais, mas viver da escrita naquela época? Nem pensar! Machado seguiu uma carreira burocrática: o emprego público lhe garantia o sustento. A ascensão na carreira burocrática foi ocorrendo paralelamente a sua consagração como escritor. Oficial do gabinete do ministro, membro do Conservatório Dramático, oficial da Ordem das Rosas e, em 1889, o mais alto grau da carreira: diretor de um órgão público, a Diretoria do Comércio. Aos poucos foi chegando a estabilidade econômica e mais tempo para escrever.
Durante 40 anos Machado escreveu suas crônicas. Utilizando-se de histórias do dia-a-dia, o escritor ia refletindo sobre a História que se desenhava a sua volta. Machado denunciou a escravidão, não se utilizando do emocionalismo que caracterizava as manifestações abolicionistas, mas a análise, a reflexão, demolindo a idéia (muito comum na época) da "bondade dos brancos" ao libertar os negros. Em sua obra (crônica, conto, romance) procurou desvendar os mecanismos econômicos e ideológicos que tentavam justificar, primeiro, a necessidade do trabalho escravo e, depois, a contingência imperiosa da libertação. Em 13 de maio de 1888 foi assinada a Lei Áurea. No dia 19 do mesmo mês, Machado de Assis publicou uma crônica sobre o assunto, ironizando a "bondade dos brancos".
A Abolição e a Guerra do Paraguai foram fatais para a Monarquia. Sob a liderança do Exército, proclamou-se então a república, em 1889. Machado não era contra uma nova ordem, mas contra essa nova ordem republicana. Para ele, o fim do Império poderia significar o fim da estabilidade ainda precária do país. Foi por temer essa instabilidade que ele se opôs ao que considerava o prematuro advento republicano.
Enfim, Machado de Assis não passou largo dos grandes acontecimentos de seu tempo. É possível entrever, no registro do cotidiano feito por suas crônicas, assim como posteriormente nos romances, a ligação com o contexto social mais amplo.Entre uma crônica e outra, entre uma crítica teatral e um poema, Machado de Assis ia tecendo a parte mais importante de sua obra: o conto e o romance.
O amor de verdade, não o ficcional dos romances, para o homem Machado de Assis veio na figura de Carolina Novais, portuguesa e mais velha que o escritor. Em carta, Machado declarou-lhe: "Tu não te pareces com as mulheres vulgares que tenho conhecido. Espírito e coração como os teus são prendas raras [...] Como te não amaria eu?". Viram-se. Amaram-se. Casaram-se em 12 de novembro de 1869. Passaram por dificuldades financeiras antes e depois do casamento. Casamento este que durou 35 anos. Consta que na mais perfeita harmonia.
No ano seguinte ao do casamento publica-se o primeiro volume de contos: Contos Fluminenses (1870). A crítica considera apenas medianos os contos desse livro. De qualquer forma, já aprecem as características marcantes do estilo machadiano: a conversa com o leitor; a ironia; o estudo da alma feminina. Três anos mais tarde, surgem as Histórias da meia-noite, também considerado pela crítica no mesmo nível do primeiro livro. Papéis avulsos (1882), é o terceiro livro de Machado. "O título parece negar ao livro certa unidade", frase do próprio autor. O que é falso, pois nesse livro revela-se a maturidade do contista Machado de Assis. No conto, esse livro marca a passagem para a segunda fase do escritor, a fase da maturidade artística. "O Alienista", "Teoria do medalhão", "O espelho", são alguns dos contas que fazem parte desse terceiro livro. Em Papéis avulsos Machado começa a trabalhar um dos seus outros temas básicos: a loucura. Nesse sentido, o conto "O Alienista" é uma obra-prima, de leitura absolutamente indispensável.
Em vida, Machado publicou ainda Histórias sem data (1884), Várias histórias (1896), Página escolhidas (1899) e Relíquias de casa velha (1906).
Alguns contas de Machado de Assis são de leitura indispensável: "A igreja do diabo", Cantiga de esponsais", "Singular ocorrência", "A cartomante", "A causa secreta", "Um Apólogo" e "Missa do galo". Essas narrativas revelam o universo dos temas que interessam a Machado: a loucura, a alma feminina, a vaidade, a sedução, o casamento, o adultério.
Os romances de Machado de Assis retratam a vida encarada como um espetáculo, ou mais precisamente, a vida da sociedade fluminense na época do Segundo Reinado. Espetáculo tratado de duas maneira distintas, ao longo da obra. 1.ª fase: Ressurreição (1872); A mão e a luva (1874); Helena (1876); Iaiá Garcia (1878). 2.ª fase: Memórias póstuma de Brás Cubas (1881); Quincas Borba (1891); Dom Casmurro (1899); Esaú e Jacó (1904); Memorial de Aires (1908).
Diante dessa esquematização, pode-se concluir que na trajetória de Machado de Assis ocorreu uma mudança brusca, uma verdadeira ruptura no modo de escrever; mas não é verdade. O que aconteceu foi o amadurecimento gradual, lento, progressivo, apesar de o primeiro romance da segunda fase ser revolucionário, não só em relação aos anteriores, mas também em relação a toda a história da literatura brasileira.
Machado passou pelo Romantismo e pelo Realismo, assimilando características de ambos, mas não se pode enquadrá-lo radicalmente em nenhum desses estilos. Pode-se dizer, a grosso modo, que os romances da primeira fase tendem ao Romantismo e os da segunda fase ao Realismo.
Porém, nos romances de primeira fase, já se podem notar algumas novidades. Sendo a principal delas é a criação de personagens que ambicionam sobretudo mudar de classe social, ainda que isso lhes custe sacrificar o amor (excetuando Ressurreição, os outros três romances dessa fase levam esse tom), bem diferente dos romances românticos em que os personagens em geral comportam-se de acordo com aquilo que lhes dita o coração.
Machado de Assis centrou seu interesse na sondagem psicológica, isto é, buscou compreender os mecanismos que comandam as ações humanas, sejam elas de natureza espiritual ou decorrentes da ação que o meio social exerce sobre cada indivíduo. Tudo temperado com profunda reflexão. O escritor busca inspiração nas ações rotineiras do homem. Penetrando na consciência das personagens para sondar-lhes o funcionamento, Machado mostra, de maneira impiedosa e aguda, a vaidade, a futilidade, a hipocrisia, a ambição, a inveja, a inclinação ao adultério. Como este escritor capta sempre os impulsos contraditórios existentes em qualquer ser humano, torna-se difícil classificar suas personagens em boas ou más. Escolhendo suas personagens entre a burguesia que vive de acordo com o convencionalismo da época, Machado desmascara o jogo das relações sociais, enfatizando o contraste entre essência (o que as personagens são) e aparência (o que as personagens demonstram ser). O sucesso financeiro e social é, quase sempre, o objetivo último dessas personagens.
O escritor preocupa-se muito mais com a análise das personagens do que com a ação. Por isso, em sua narrativas, pouca coisa "acontece": há poucos fatos em suas histórias, e todos são ligados entre si por reflexões profundas. Outra característica da prosa machadiana é a análise que o autor faz da própria narrativa, o narrador rompe o envolvimento emocional do leitor com a obra proporcionando momentos de reflexão sobre o que está lendo. A visão de mundo machadiana tem as seguintes características: humor, este tem duas funções: ora visa criticar o ser humano e suas fraquezas, através da ironia, ora demonstra compaixão pelo homem, fazendo o leitor refletir sobre a condição humana; pessimismo, não o angustiado nem desesperador. Tende para a a ironia e propões a aceitação do prazer relativo que a vida pode oferecer, já que a felicidade absoluta é inatingível. A natureza, considerada aqui como todas as forças que estabelecem e conservam a ordem do universo, é ao mesmo tempo mãe, porque criou o ser humano, e inimiga, porque mantém-se impassível diante do sofrimento, que só terá fim com a morte. A teoria do Humanitismo: trata-se de uma teoria formulada pela personagem Quinca Borba, que aparece em dois romances de Machado. O Humanitismo, é uma caricatura que Machado criou para retratar uma religião positivista comum em sua época, religião esta que pretendia salvar o mundo e o homem. O Humanitismo baseia-se na luta pela vida, que seria o grande objetivo do ser humano. Nessa luta vence o mais forte, e sua vitória é vista por Machado com a maior naturalidade, às vezes até com certo cinismo. A guerra, por exemplo, é considerada não como uma desgraça, mas como um processo fundamental para a sobrevivência do homem. Segundo o Humanitismo, a violência e a dor (física ou moral) fazem parte da própria condição humana.
Quando Carolina Novais morreu, em 1904, a vida de Machado de Assis desmoronou. "Foi-se a melhor parte da minha vida, e aqui estou só no mundo [...] Aqui me fico, por ora, na mesma casa, no mesmo aposento, com os mesmos adornos seus. Tudo me lembra a minha meiga Carolina. Como estou à beira do eterno aposento, não gastarei tempo em recordá-la. Irei vê-la, ela me esperará."Carolina não teve de esperar mais que quatro anos. Com a vista fraca, uma renitente infecção intestinal e uma úlcera na língua, em 1.º de agosto Machado vai pela última vez à Academia Brasileira de Letras - que fundara em 1896 e da qual fora eleito presidente primeiro e perpétuo. Na madrugada de 29 de setembro de 1908, lúcido, recusando a presença de um padre para a extrema-unção, morreu Machado de Assis, reconhecido pelo público e pela crítica como um grande escritor.
Foi sepultado ao lado de Carolina, cumprindo o que prometera quatro anos antes à mulher, num soneto de despedida:
Querida, ao pé do leito derradeiro Em que descansas dessa longa vida,Aqui venho e virei, pobre queridaTrazer-te o coração de companheiro.
Texto original por Carlos Faraco
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OBRAS DO AUTOR
POESIACrisálidas (1864); Falenas (1870); Americanas (1875); Poesias completas (incluindo Ocidentais) (1901).
ROMANCERessurreição (1872); A mão e a luva (1874); Helena (1876); Iaiá Garcia (1878); Memórias póstumas de Brás Cubas (1881); Quincas Borba (1891); Dom Casmurro (1899); Esaú e Jacó (1904); Memorial de Aires (1908).
CONTOContos fluminenses (1870); Histórias da meia-noite (1873); Papéis avulsos (1882); Histórias sem data (1884); Várias histórias (1896); Páginas recolhidas (1899); Relíquias de casa velha (1906).
TEATROQueda que as mulheres têm para os tolos (1861); Desencantos (1861); Hoje avental, amanhã luva(1861); O caminho da porta (1862); O protocolo.(1862); Quase ministro (1863); Os deuses de casaca (1865); Tu, só tu, puro amor (1881); Teatro coligido (incluindo Não consultes médico e Lição de botânica) (1910).
ALGUMAS OBRAS PÓSTUMASCrítica (1910); Outras relíquias (contos) (1921); A semana (crônica)(1914, 1937) 3 vol.; Páginas escolhidas (contos) (l92l); Novas relíquias (contos) (1932); Crônicas (1937); Contos fluminenses - 2º vol. (1937); Crítica literária (1937); Crítica teatral (1937); Histórias românticas (1937); Páginas esquecidas (1939); Casa velha (1944); Diálogos e reflexões de um relojoeiro (1956); Crônicas de Lélio (1958).
O conto, Teoria do Medalhão, de Machado de Assis, traz uma análise do comportamento de alguns membros da sociedade. Descreve-os de maneira extremamente clara, precisa, com um humor recatado, ironizando-os usando como pano de fundo uma conversa "inocente" como a de um pai com um filho.Este conto, um dos mais deliciosos libelos do escritor contra a mediocridade intelectual e social, é satírico por excelência, lembrando a ironia filosófica dos relatos curtos de Voltaire. Praticamente sem ação, seu núcleo temático gira em torno de uma exposição de idéias cínicas, através do diálogo entre pai e filho.Teoria do Medalhão desenvolve com muita ironia as mesmas questões levantadas pelo conto O Espelho. O narrador cede seu espaço à reprodução das falas das duas únicas personagens: pai e filho. O tom terrivelmente irônico da fala do pai revela, obviamente, a denúncia feita pelo autor por trás do conto em relação a uma sociedade burguesa medíocre e arrogante, que prega o sucesso a qualquer preço, mesmo à custa do empobrecimento da vida interior e das relações humanas.O diálogo familiar acontece numa noite às onze horas, após um jantar comemorativo dos 21 anos do filho. Quando pai e filho ficam a sós na sala, este aconselha o filho a se tornar um Medalhão, ou seja, um homem que ao chegar à velhice, tenha adquirido respeito e fama na sociedade do Rio de Janeiro do século XIX. Para tanto, será necessário que ele mude seus hábitos e costumes e passe a viver sob uma máscara, anulando os seus gostos pessoais e suas atitudes. E nisso disserta sobre a necessidade do filho de sempre manter-se neutro, usar e abusar de palavras sem sentido, conhecer pouco, ter vocabulário limitado etc. Ao final, é uma bela ironia machadiana sobre como encontram-se os valores da sociedade de sua época. Portanto, o medalhão, tipo criado pelo autor neste conto, se caracteriza por aparentar ser o que não é. Caracteriza-se, sobretudo, por ter, como nos medalhões, uma face oculta e sem atrativos, voltada apenas para o corpo do dono, e outra, vistosa, virada para o exterior, para ser vista e admirada, respeitada.Teoria do medalhão é um dos contos que mostra Machado de Assis como um crítico afiado da sociedade brasileira no que ela tem de mais profundo: a mediocridade condecorada, a troca de favores como motor básico das relações sociais, a hipocrisia, tudo aquilo que perduraria para além da troca de regime. O conto é uma lição a todo homem que almeja ter prestígio, ser reconhecido pela sociedade e que elimina qualquer expressão da subjetividade em nome da absorção ao senso comum, à opinião da maioria.O conto não tem um narrador. De um lado, a presença de um pai que quer projetar seus ideais frustrados de sucesso no jovem filho; de outro lado, o filho que se sujeita a aceitar passivamente as imposições do pai, anulando-se.Os papéis sociais no conto machadiano, pertencem, num primeiro momento, a um grupo restrito: pai e filho. As personagens não possuem nomes e são, portanto, caracterizadas somente pela posição que ocupam no grupo familiar. Num segundo momento, no decorrer da narrativa, há a construção de um terceiro papel social, este pertencente a um grupo mais amplo: o Medalhão.No diálogo estabelecido no conto, há a presença das formas de tratamento. O pai dirige-se ao filho sempre utilizando a 2ª pessoa pronominal: tu, te, contigo, teu etc.; o filho, por sua vez, utiliza-se a 3ª pessoa, com valor de 2ª pessoa: vosmecê, lhe, o senhor etc. No primeiro caso, a presença da 2ª pessoa dá um valor de proximidade ao discurso (ou tentativa de), dando um maior sentimento de intimidade. No segundo caso, o uso da 3ª pessoa, mostra uma aceitação do discurso paterno, como se não houvesse outro meio de discussão. É a aceitação pacífica do papel social que cabe ao filho no final do século XIX.
Leia o conto na íntegra:A TEORIA DO MEDALHÃO-
Estás com sono? - Não, senhor. -
Nem eu; conversemos um pouco.
Abre a janela. Que horas são? -
Onze. -
Saiu o último conviva do nosso modesto jantar. Com que, meu peralta, chegaste aos teus vinte e um anos. Há vinte e um anos, no dia 5 de agosto de 1854, vinhas tu à luz, um pirralho de nada, e estás homem, longos bigodes, alguns namoros...
- Papai...
- Não te ponhas com denguices, e falemos como dois amigos sérios. Fecha aquela porta; vou dizer-te coisas importantes. Senta-te e conversemos. Vinte e um anos, algumas apólices, um diploma, podes entrar no parlamento, na magistratura, na imprensa, na lavoura, na indústria, no comércio, nas letras ou nas artes. Há infinitas carreiras diante de ti. Vinte e um anos, meu rapaz, formam apenas a primeira sílaba do nosso destino. Os mesmos Pitt e Napoleão, apesar de precoces, não foram tudo aos vinte e um anos. Mas qualquer que seja a profissão da tua escolha, o meu desejo é que te faças grande e ilustre, ou pelo menos notável, que te levantes acima da obscuridade comum. A vida, Janjão, é uma enorme loteria; os prêmios são poucos, os malogrados inúmeros, e com os suspiros de uma geração é que se amassam as esperanças de outra. Isto é a vida; não há planger, nem imprecar, mas aceitar as coisas integralmente, com seus ônus e percalços, glórias e desdouros, e ir por diante.- Sim, senhor. - Entretanto, assim como é de boa economia guardar um pão para a velhice, assim também é de boa prática social acautelar um ofício para a hipótese de que os outros falhem, ou não indenizem suficientemente o esforço da nossa ambição. É isto o que te aconselho hoje, dia da tua maioridade. - Creia que lhe agradeço; mas que ofício, não me dirá? - Nenhum me parece mais útil e cabido que o de medalhão. Ser medalhão foi o sonho da minha mocidade; faltaram-me, porém, as instruções de um pai, e acabo como vês, sem outra consolação e relevo moral, além das esperanças que deposito em ti. Ouve-me bem, meu querido filho, ouve-me e entende. És moço, tens naturalmente o ardor, a exuberância, os improvisos da idade; não os rejeites, mas modera-os de modo que aos quarenta e cinco anos possas entrar francamente no regime do aprumo e do compasso. O sábio que disse: "a gravidade é um mistério do corpo", definiu a compostura do medalhão. Não confundas essa gravidade com aquela outra que, embora resida no aspecto, é um puro reflexo ou emanação do espírito; essa é do corpo, tão-somente do corpo, um sinal da natureza ou um jeito da vida. Quanto à idade de quarenta e cinco anos... - É verdade, por que quarenta e cinco anos? - Não é, como podes supor, um limite arbitrário, filho do puro capricho; é a data normal do fenômeno. Geralmente, o verdadeiro medalhão começa a manifestar-se entre os quarenta e cinco e cinqüenta anos, conquanto alguns exemplos se dêem entre os cinqüenta e cinco e os sessenta; mas estes são raros. Há-os também de quarenta anos, e outros mais precoces, de trinta e cinco e de trinta; não são, todavia, vulgares. Não falo dos de vinte e cinco anos: esse madrugar é privilégio do gênio. - Entendo. - Venhamos ao principal. Uma vez entrado na carreira, deves pôr todo o cuidado nas idéias que houveres de nutrir para uso alheio e próprio. O melhor será não as ter absolutamente; coisa que entenderás bem, imaginando, por exemplo, um ator defraudado do uso de um braço. Ele pode, por um milagre de artifício, dissimular o defeito aos olhos da platéia; mas era muito melhor dispor dos dois. O mesmo se dá com as idéias; pode-se, com violência, abafá-las, escondê-las até à morte; mas nem essa habilidade é comum, nem tão constante esforço conviria ao exercício da vida.- Mas quem lhe diz que eu... - Tu, meu filho, se me não engano, pareces dotado da perfeita inópia mental, conveniente ao uso deste nobre ofício. Não me refiro tanto à fidelidade com que repetes numa sala as opiniões ouvidas numa esquina, e vice-versa, porque esse fato, posto indique certa carência de idéias, ainda assim pode não passar de uma traição da memória. Não; refiro-me ao gesto correto e perfilado com que usas expender francamente as tuas simpatias ou antipatias acerca do corte de um colete, das dimensões de um chapéu, do ranger ou calar das botas novas. Eis aí um sintoma eloqüente, eis aí uma esperança, No entanto, podendo acontecer que, com a idade, venhas a ser afligido de algumas idéias próprias, urge aparelhar fortemente o espírito. As idéias são de sua natureza espontâneas e súbitas; por mais que as sofreemos, elas irrompem e precipitam-se. Daí a certeza com que o vulgo, cujo faro é extremamente delicado, distingue o medalhão completo do medalhão incompleto. - Creio que assim seja; mas um tal obstáculo é invencível.- Não é; há um meio; é lançar mão de um regime debilitante, ler compêndios de retórica, ouvir certos discursos, etc. O voltarete, o dominó e o whist são remédios aprovados. O whist tem até a rara vantagem de acostumar ao silêncio, que é a forma mais acentuada da circunspecção. Não digo o mesmo da natação, da equitação e da ginástica, embora elas façam repousar o cérebro; mas por isso mesmo que o fazem repousar, restituem-lhe as forças e a atividade perdidas. O bilhar é excelente.- Como assim, se também é um exercício corporal? - Não digo que não, mas há coisas em que a observação desmente a teoria. Se te aconselho excepcionalmente o bilhar é porque as estatísticas mais escrupulosas mostram que três quartas partes dos habituados do taco partilham as opiniões do mesmo taco. O passeio nas ruas, mormente nas de recreio e parada, é utilíssimo, com a condição de não andares desacompanhado, porque a solidão é oficina de idéias, e o espírito deixado a si mesmo, embora no meio da multidão, pode adquirir uma tal ou qual atividade.- Mas se eu não tiver à mão um amigo apto e disposto a ir comigo? - Não faz mal; tens o valente recurso de mesclar-te aos pasmatórios, em que toda a poeira da solidão se dissipa. As livrarias, ou por causa da atmosfera do lugar, ou por qualquer outra, razão que me escapa, não são propícias ao nosso fim; e, não obstante, há grande conveniência em entrar por elas, de quando em quando, não digo às ocultas, mas às escâncaras. Podes resolver a dificuldade de um modo simples: vai ali falar do boato do dia, da anedota da semana, de um contrabando, de uma calúnia, de um cometa, de qualquer coisa, quando não prefiras interrogar diretamente os leitores habituais das belas crônicas de Mazade; 75 por cento desses estimáveis cavalheiros repetir-te-ão as mesmas opiniões, e uma tal monotonia é grandemente saudável. Com este regime, durante oito, dez, dezoito meses - suponhamos dois anos, - reduzes o intelecto, por mais pródigo que seja, à sobriedade, à disciplina, ao equilíbrio comum. Não trato do vocabulário, porque ele está subentendido no uso das idéias; há de ser naturalmente simples, tíbio, apoucado, sem notas vermelhas, sem cores de clarim... - Isto é o diabo! Não poder adornar o estilo, de quando em quando...- Podes; podes empregar umas quantas figuras expressivas, a hidra de Lerna, por exemplo, a cabeça de Medusa, o tonel das Danaides, as asas de Ícaro, e outras, que românticos, clássicos e realistas empregam sem desar, quando precisam delas. Sentenças latinas, ditos históricos, versos célebres, brocardos jurídicos, máximas, é de bom aviso trazê-los contigo para os discursos de sobremesa, de felicitação, ou de agradecimento. Caveant consules é um excelente fecho de artigo político; o mesmo direi do Si vis pacem para bellum. Alguns costumam renovar o sabor de uma citação intercalando-a numa frase nova, original e bela, mas não te aconselho esse artifício: seria desnaturar-lhe as graças vetustas. Melhor do que tudo isso, porém, que afinal não passa de mero adorno, são as frases feitas, as locuções convencionais, as fórmulas consagradas pelos anos, incrustadas na memória individual e pública. Essas fórmulas têm a vantagem de não obrigar os outros a um esforço inútil. Não as relaciono agora, mas fá-lo-ei por escrito. De resto, o mesmo ofício te irá ensinando os elementos dessa arte difícil de pensar o pensado. Quanto à utilidade de um tal sistema, basta figurar uma hipótese. Faz-se uma lei, executa-se, não produz efeito, subsiste o mal. Eis aí uma questão que pode aguçar as curiosidades vadias, dar ensejo a um inquérito pedantesco, a uma coleta fastidiosa de documentos e observações, análise das causas prováveis, causas certas, causas possíveis, um estudo infinito das aptidões do sujeito reformado, da natureza do mal, da manipulação do remédio, das circunstâncias da aplicação; matéria, enfim, para todo um andaime de palavras, conceitos, e desvarios. Tu poupas aos teus semelhantes todo esse imenso aranzel, tu dizes simplesmente: Antes das leis, reformemos os costumes! - E esta frase sintética, transparente, límpida, tirada ao pecúlio comum, resolve mais depressa o problema, entra pelos espíritos como um jorro súbito de sol. - Vejo por aí que vosmecê condena toda e qualquer aplicação de processos modernos.- Entendamo-nos. Condeno a aplicação, louvo a denominação. O mesmo direi de toda a recente terminologia científica; deves decorá-la. Conquanto o rasgo peculiar do medalhão seja uma certa atitude de deus Término, e as ciências sejam obra do movimento humano, como tens de ser medalhão mais tarde, convém tomar as armas do teu tempo. E de duas uma: - ou elas estarão usadas e divulgadas daqui a trinta anos, ou conservar-se-ão novas; no primeiro caso, pertencem-te de foro próprio; no segundo, podes ter a coquetice de as trazer, para mostrar que também és pintor. De outiva, com o tempo, irás sabendo a que leis, casos e fenômenos responde toda essa terminologia; porque o método de interrogar os próprios mestres e oficiais da ciência, nos seus livros, estudos e memórias, além de tedioso e cansativo, traz o perigo de inocular idéias novas, e é radicalmente falso. Acresce que no dia em que viesses a assenhorear-te do espírito daquelas leis e fórmulas, serias provavelmente levado a empregá-las com um tal ou qual comedimento, como a costureira esperta e afreguesada, - que, segundo um poeta clássico, Quanto mais pano tem, mais poupa o corte, Menos monte alardeia de retalhos; e este fenômeno, tratando-se de um medalhão, é que não seria científico.- Upa! que a profissão é difícil!- E ainda não chegamos ao cabo.- Vamos a ele. - Não te falei ainda dos benefícios da publicidade. A publicidade é uma dona loureira e senhoril, que tu deves requestar à força de pequenos mimos, confeitos, almofadinhas, coisas miúdas, que antes exprimem a constância do afeto do que o atrevimento e a ambição. Que D. Quixote solicite os favores dela mediante, ações heróicas ou custosas, é um sestro próprio desse ilustre lunático. O verdadeiro medalhão tem outra política. Longe de inventar um Tratado científico da criação dos carneiros, compra um carneiro e dá-o aos amigos sob a forma de um jantar, cuja notícia não pode ser indiferente aos seus concidadãos. Uma notícia traz outra; cinco, dez, vinte vezes põe o teu nome ante os olhos do mundo. Comissões ou deputações para felicitar um agraciado, um benemérito, um forasteiro, têm singulares merecimentos, e assim as irmandades e associações diversas, sejam mitológicas, cinegéticas ou coreográficas. Os sucessos de certa ordem, embora de pouca monta, podem ser trazidos a lume, contanto que ponham em relevo a tua pessoa. Explico-me. Se caíres de um carro, sem outro dano, além do susto, é útil mandá-lo dizer aos quatro ventos, não pelo fato em si, que é insignificante, mas pelo efeito de recordar um nome caro às afeições gerais. Percebeste?- Percebi. - Essa é publicidade constante, barata, fácil, de todos os dias; mas há outra. Qualquer que seja a teoria das artes, é fora de dúvida que o sentimento da família, a amizade pessoal e a estima pública instigam à reprodução das feições de um homem amado ou benemérito. Nada obsta a que sejas objeto de uma tal distinção, principalmente se a sagacidade dos amigos não achar em ti repugnância. Em semelhante caso, não só as regras da mais vulgar polidez mandam aceitar o retrato ou o busto, como seria desazado impedir que os amigos o expusessem em qualquer casa pública. Dessa maneira o nome fica ligado à pessoa; os que houverem lido o teu recente discurso (suponhamos) na sessão inaugural da União dos Cabeleireiros, reconhecerão na compostura das feições o autor dessa obra grave, em que a "alavanca do progresso" e o "suor do trabalho" vencem as "fauces hiantes" da miséria. No caso de que uma comissão te leve a casa o retrato, deves agradecer-lhe o obséquio com um discurso cheio de gratidão e um copo d'água: é uso antigo, razoável e honesto. Convidarás então os melhores amigos, os parentes, e, se for possível, uma ou duas pessoas de representação. Mais. Se esse dia é um dia de glória ou regozijo, não vejo que possas, decentemente, recusar um lugar à mesa aos reporters dos jornais. Em todo o caso, se as obrigações desses cidadãos os retiverem noutra parte, podes ajudá-los de certa maneira, redigindo tu mesmo a notícia da festa; e, dado que por um tal ou qual escrúpulo, aliás desculpável, não queiras com a própria mão anexar ao teu nome os qualificativos dignos dele, incumbe a notícia a algum amigo ou parente.- Digo-lhe que o que vosmecê me ensina não é nada fácil.- Nem eu te digo outra coisa. É difícil, come tempo, muito tempo, leva anos, paciência, trabalho, e felizes os que chegam a entrar na terra prometida! Os que lá não penetram, engole-os a obscuridade. Mas os que triunfam! E tu triunfarás, crê-me. Verás cair as muralhas de Jericó ao som das trompas sagradas. Só então poderás dizer que estás fixado. Começa nesse dia a tua fase de ornamento indispensável, de figura obrigada, de rótulo. Acabou-se a necessidade de farejar ocasiões, comissões, irmandades; elas virão ter contigo, com o seu ar pesadão e cru de substantivos desadjetivados, e tu serás o adjetivo dessas orações opacas, o odorífero das flores, o anilado dos céus, o prestimoso dos cidadãos, o noticioso e suculento dos relatórios. E ser isso é o principal, porque o adjetivo é a alma do idioma, a sua porção idealista e metafísica. O substantivo é a realidade nua e crua, é o naturalismo do vocabulário.,
- E parece-lhe que todo esse ofício é apenas um sobressalente para os deficits da vida?
- Decerto; não fica excluída nenhuma outra atividade.
- Nem política?- Nem política.
Toda a questão é não infringir as regras e obrigações capitais. Podes pertencer a qualquer partido, liberal ou conservador, republicano ou ultramontano, com a cláusula única de não ligar nenhuma idéia especial a esses vocábulos, e reconhecer-lhe somente a utilidade do scibboleth bíblico.
- Se for ao parlamento, posso ocupar a tribuna?
- Podes e deves; é um modo de convocar a atenção pública. Quanto à matéria dos discursos, tens à escolha: - ou os negócios miúdos, ou a metafísica política, mas prefere a metafísica. Os negócios miúdos, força é confessá-lo, não desdizem daquela chateza de bom-tom, própria de um medalhão acabado; mas, se puderes, adota a metafísica; - é mais fácil e mais atraente. Supõe que desejas saber por que motivo a 7ª companhia de infantaria foi transferida de Uruguaiana para Canguçu; serás ouvido tão-somente pelo ministro da guerra, que te explicará em dez minutos as razões desse ato. Não assim a metafísica. Um discurso de metafísica política apaixona naturalmente os partidos e o público, chama os apartes e as respostas. E depois não obriga a pensar e descobrir. Nesse ramo dos conhecimentos humanos tudo está achado, formulado, rotulado, encaixotado; é só prover os alforjes da memória. Em todo caso, não transcendas nunca os limites de uma invejável vulgaridade.
- Farei o que puder.
Nenhuma imaginação?
- Nenhuma; antes faze correr o boato de que um tal dom é ínfimo.
- Nenhuma filosofia?
- Entendamo-nos: no papel e na língua alguma, na realidade nada.
"Filosofia da história", por exemplo, é uma locução que deves empregar com freqüência, mas proíbo-te que chegues a outras conclusões que não sejam as já achadas por outros. Foge a tudo que possa cheirar a reflexão, originalidade, etc., etc.
- Também ao riso?
- Como ao riso?
- Ficar sério, muito sério...
- Conforme. Tens um gênio folgazão, prazenteiro, não hás de sofreá-lo nem eliminá-lo; podes brincar e rir alguma vez. Medalhão não quer dizer melancólico. Um grave pode ter seus momentos de expansão alegre. Somente, - e este ponto é melindroso...
- Diga...
- Somente não deves empregar a ironia, esse movimento ao canto da boca, cheio de mistérios, inventado por algum grego da decadência, contraído por Luciano, transmitido a Swift e Voltaire, feição própria dos cépticos e desabusados. Não. Usa antes a chalaça, a nossa boa chalaça amiga, gorducha, redonda, franca, sem biocos, nem véus, que se mete pela cara dos outros, estala como uma palmada, faz pular o sangue nas veias, e arrebentar de riso os suspensórios. Usa a chalaça. Que é isto?
- Meia-noite.
- Meia-noite?
Entras nos teus vinte e dois anos, meu peralta; estás definitivamente maior. Vamos dormir, que é tarde. Rumina bem o que te disse, meu filho. Guardadas as proporções, a conversa desta noite vale o Príncipe de Machiavelli. Vamos dormir.
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Outras obras Machado de Assis
Papéis Avulsos
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A Igreja do Diabo (Conto de Histórias sem Data)
A Mão e a Luva
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CEM ANOS SEM MACHADO DE ASSIS
UM SÉCULO SEM MACHADO DE ASSIS
por ksouza Última modificação 30/09/2008 18:32
Hoje, 29 de setembro de 2008, o Brasil e o mundo lembram os 100 anos da morte de Joaquim Maria Machado de Assis, genial escritor, jornalista e cidadão brasileiro. Aliás, o mais conhecido e reverenciado intelectual brasileiro em todo o mundo. Imortal, Machado de Assis foi um dos fundadores e primeiro presidente da Academia Brasileira de Letras, entidade da qual atualmente é o patrono.
Machado de Assis tem também uma história exemplar como servidor público. É especialmente por esse dado biográfico que a Imprensa Nacional publica, neste dia, sua reverência à memória desse homem que foi um dos gênios da humanidade. Há motivos para isso. Uma relação íntima entre esse órgão e Machado de Assis. Foi, no Rio de Janeiro, na então Typographia Nacional – um dos nomes pelos quais foi conhecida, na sua origem, a bicentenária Imprensa Nacional – que, em 1856, aos 17 anos, Machado de Assis exerceu sua primeira atividade profissional: aprendiz de tipógrafo. Lá, encontrou o jornalista e escritor Manuel Antônio de Almeida, seu chefe, que se tornaria seu grande amigo e incentivador.
Dá para imaginar esta cena cotidiana: Machado toma a barca na Praia Formosa, desce no Cais dos Franceses, atual Praça Quinze, e vai, a pé, à Typographia Nacional, na rua da Guarda Velha (atual Treze de Maio). Uma rotina mantida até 1858.
Anos depois, em 8 de abril de 1867, volta à Typographia Nacional e ocupa o cargo de ajudante do diretor do “Diario Official” até 6 de janeiro de 1874. Sempre com extremado zelo, ocupou outros importantes cargos na administração pública. Ao mesmo tempo, o seu fazer literário e jornalístico despontavam com a força reprimida de seus esforços diuturnos de autodidata.
A Imprensa Nacional teve ainda o privilégio, de ter publicado, em 1881, a primeira edição do romance “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, obra que inaugurou o realismo no Brasil e posicionou Machado de Assis entre os maiores escritores de todos os tempos. No ano de seu bicentenário, a Imprensa Nacional evoca esse momento do eterno vínculo com o célebre escritor, fixado especialmente a partir da edição do decreto presidencial de 13 de janeiro de 1997, que designou Machado de Assis como Patrono da Imprensa Nacional.
Um dos traços do vínculo com a Imprensa Nacional é visível no Museu da Imprensa, em Brasília, onde é preservado o prelo em que Machado de Assis trabalhou, na Typographia Nacional, nos seus primeiros passos como servidor público.
Gravidez na adolescência
Quem nunca viu uma adolescente grávida no colégio, na rua e às vezes até mesmo dentro da casa da gente com nossas amigas, primas e irmãs? Para saber como é ser mãe na adolescência, nós entrevistamos Joana (nome criado por nós para proteger nossa entrevistada), 17 anos, que estuda na 2ª série do ensino médio de um colégio estadual e trabalha como atendente de lanchonete. Ela tem um filho de 1 ano e 4 meses e está grávida de novo.
Quando e como aconteceu a sua primeira gravidez?
Eu tinha 15 anos e não estava esperando. Fazia um ano que eu estava namorando o pai do meu primeiro filho. Eu tinha ido ao médico e ele me receitou a pílula. Só que eu a tomava e sentia vontade de vomitar. Então, fui deixando e não tomava.
Qual foi a sua reação quando descobriu que estava grávida?
Chorei bastante. Fiquei assustada, com medo do meu pai, da gravidez. Fazia um mês que a minha mãe tinha morrido. Foi complicado.
Qual foi a reação de seu pai?
No começo, ele me deu um sermão, depois ficou do meu lado e pediu para eu não fazer besteira. A minha irmã mais velha não me apoiou. Ela não falava comigo. Depois que o meu filho nasceu, a gente voltou a se falar.
E a reação do pai da criança?
Ele não reagiu bem, queria que eu abortasse, mas eu resolvi assumir. Depois que eu falei com o meu pai e que eles conversaram, a gente terminou o namoro. Mas ele assumiu a criança, registrou e dá pensão.
E ele te pressionou para fazer o aborto?
Antes de eu contar para o meu pai, sim. Ele não queria que eu contasse, falou que a gente ia dar um jeito. A namorada de um amigo dele já tinha abortado com um remédio. Só que eu ia estar me arriscando tomando esse remédio. Podia acontecer alguma coisa e eu ir parar no hospital e o meu pai ia ficar sabendo e seria pior. Então eu preferi contar para o meu pai, sabia que ele não ia me deixar fazer isso.
Como aconteceu a segunda gravidez?
Também não foi planejada. A gente sempre acha que não vai acontecer com a gente, que pode acontecer com a vizinha, com a amiga, mas nunca com gente.
Por quê?
Depois que eu ganhei nenê, o médico passou o remédio para mim, mas eu não o estava tomando. Fazia só quatro meses que eu estava namorando e a gente sempre usou camisinha só que, às vezes, não. Foi numa dessas que eu engravidei.
Quais eram os seus sonhos antes e depois da gravidez?
A vida muda. Depois da minha primeira gravidez, mudou completamente. Tive que abrir mão das minhas coisas para ir atrás das coisas do meu filho.Eu não tinha nenhum sonho. Tudo o que eu queria era continuar minha vida normal, estudar e trabalhar. Por enquanto, está indo bem . Quando estou trabalhando, o meu filho fica com meu pai e, quando estou na escola, ele fica com minha irmã, agora ela passou a aceitar mais.
E o pai do nenê que você está esperando, como ele reagiu?
Ele reagiu bem, até porque ele é mais velho. Tem 28 anos. O pai do meu primeiro filho tem a minha idade e pensou: "Pô, eu tenho uma vida para curtir e agora eu vou cuidar de um filho". Agora, o meu atual namorado já é mais maduro. Acho que na cabeça dele não passou a idéia de aborto porque ele nunca comentou. Nesta parte, ele se saiu bem.
Graziely de Oliveira Farias e Fabiula Nascimento Estancia, alunas da 5a série C do Colégio Estadual "Hugo Simas", e Maria Rita Teixeira, aluna de Jornalismo-UEL
quarta-feira, 17 de setembro de 2008
ADOLESCENTE GRAVIDEZ PRECOCE
O Brasil é conhecido como um dos países com um dos maiores índices de aborto do mundo. São mais de três milhões por ano.
Paralelo a esse número, é crescente também o índice de meninas com menos de 20 anos que não só assumiram a responsabilidade pela gravidez em idade precoce, mas já anunciaram aos pais a chegada de um segundo filho.
Em todo o país, são 240 mil adolescentes que já experimentaram a segunda maternidade. É o equivalente à população de uma cidade como Limeira(interior de SP).
Se o governo estava preocupado com a primeira gravidez entre meninas, já decidiu colocar em prática um plano de prevenção para orientar as jovens que acabam ignorando métodos anticoncepcionais e engravidam de novo. Problemas à vista, porque os dados de pesquisas recentes mostram que está aumentando o número de mães adolescentes com dois filhos.
Os dados e uma análise aprofundada da questão foram elaborados pela ginecologista Albertina Duarte, coordenadora do Programa de Saúde do Adolescente do Estado de São Paulo, em sua tese de doutorado, defendida no fim do ano passado.
A pesquisadora constatou que entre 1.800 garotas atendidas no Hospital das Clínicas de São Paulo nos últimos 11 anos, houve um aumento de 17% no número das que estavam na segunda gravidez.
Qual a razão para isso? Segundo outro estudo, feito pela Universidade Federal de São Paulo, 19 meninas, de um grupo de 20, com idade entre 15 e 19 anos e com histórico de mais de uma gravidez disseram conhecer formas de evitar a concepção.
A questão passa a ser, então, de responsabilidade. Mas de quem?
Seria do próprio casal, que na "hora H" esquece ou despreza a importância do método contraceptivo?
Seria dos pais, que vão se ausentando da vida dos filhos à medida que eles vão entrando na adolescência e se interessando por valores estranhos aos dos genitores?
O problema pede respostas urgentes, porque está em jogo a qualidade de vida dos bebês e de toda a estrutura familiar, além de um fator essencial que normalmente nem é considerado na hora de se pensar sobre o assunto: a questão espiritual.
A situação difícil fica bem clara no depoimento de uma menina que já foi mãe duas vezes. Vanessa Conceição Barbosa tem 19 anos. Engravidou pela primeira vez aos 16 e pela segunda aos 18. Mora em Pirituba, zona oeste da capital paulista.
A primeira gravidez ocorreu quando ela estava na 7ª série. A garota parou de estudar e as amigas se afastaram. "Só minha mãe me ajudou", afirmou a menina.
Assim como Vanessa, 13% das garotas de 15 a 24 anos que haviam se casado abandonaram a escola. Os motivos alegados foram gravidez ou falta de tempo para cuidar dos filhos.
Os psicólogos afirmam que o abandono da escola só não é inevitável quando a adolescente conta com uma estrutura familiar sólida.
Foi o caso de Daniela de Oliveira, outra jovem entrevistada de 19 anos. Para ela, a ajuda dos pais está sendo fundamental para que não largue os estudos. Quanto à experiência precoce como mãe duas vezes, disse que "não ligava para os métodos anti-concepção, apesar de conhecê-los. Foi criancice mesmo", reconhece. Daniela é mãe de Leonardo, 3 anos, e de Guilherme, 1 ano.
Trocar a escola pelas obrigações junto aos filhos é apenas um dos dilemas que envolvem a questão da gravidez precoce.
Problema sério que deve ser tratado imediatamente é o grande contingente de "filhos de avós", crianças criadas e educadas pelos pais da garotada que anda abusando da fertilidade.
Avós não são pais, embora tenham educado filhos durante boa parte da vida. Mesmo que a diferença de idade entre os pais e os filhos seja pequena(hoje não é mais novidade pais se tornarem avós com 34, 35 anos), está em jogo uma questão fundamental, que é a responsabilidade em assumir o resultado de uma relação sexual irresponsável, no sentido do casal não ter tomado as providências necessárias para evitar uma gravidez indesejada.
A orientação fundamental sugerida pelo Espiritismo a esse respeito é que haja muito diálogo entre os integrantes das mocidades espíritas, inclusive da pré-mocidade e turmas mais avançadas da evangelização infantil, sobre o tema sexualidade, para que a liberdade natural com que a Doutrina trata de quaisquer assuntos se reflita em informações bem fundamentadas, que tragam segurança para os jovens na hora de conviver com as circunstâncias trazidas pela vida.
Em tudo, é necessário responsabilidade e preparo. Se a certeza de que uma gravidez indesejada pode alterar profundamente a convivência dentro do lar, faz-se necessário pensar com tranqüilidade e sem pressa sobre o momento mais adequado para se iniciar a vida sexual.
Deve ser agora, só porque o parceiro está pressionando? O casal tem segurança suficiente para assumir as conseqüências de uma atividade sexual plena?
São perguntas pertinentes ao ambiente da reflexão espírita, próprias de quem está disposto a crescer em um clima de liberdade de pensamento aliado à responsabilidade pelo que se faz.
Mesmo diante do perfil esclarecedor da Doutrina, de características elevadas quanto ao trato com temas fundamentais como a vida, não é lícito inferir que pelo fato da menina ter ficado grávida ainda na adolescência tudo já estava previsto em sua programação reencarnatória.
Receber alguém como filho é uma experiência muito importante na vida de uma pessoa para que tal processo seja tratado de qualquer maneira pelos benfeitores espirituais, no momento de planejar uma nova existência.
Os "filhos" assumidos antes da reencarnação podem até ser esses mesmos Espíritos. O problema é que a inconseqüência e o imediatismo fazem com que eles venham antes do momento certo, que acontece toda vez que o casal não dá o tempo necessário à convivência e ao conhecimento um do outro para que laços mais profundos, traçados no plano espiritual, se consolidem, em benefício de todos.
Gravidez precoce, portanto, é experiência que pode e deve ser evitada, em favor do amadurecimento e da conscientização dos adolescentes. E métodos contraceptivos não existem para que os jovens brinquem com as forças sexuais, mas, pelo contrário, as eduquem, auxiliando-os a entrar com pés firmes em um mundo pleno de criatividade e explosão de forças criadoras, conforme é o da sexualidade ativa.
Carlos Augusto Abranches
sábado, 26 de julho de 2008
PAULO FREIRE SABIA QUE...
"Um dos piores males que o poder público vem fazendo a nós, no Brasil, historicamente, desde que a sociedade brasileira foi criada, é o de fazer muitos de nós correr o risco de, a custo de tanto descaso pela educação pública, existencialmente cansados, cair no indiferentismo fatalistamente cínico que leva ao cruzamento dos braços. 'Não há o que fazer' é o discurso acomodado que não podemos aceitar." ( Paulo Freire
ESTAMOS EM ESTADO DE GREVE
Na primeira noite, eles se aproximam e colhem uma flor de nosso jardim. E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem, pisam as flores, matam nosso cão.
E não dizemos nada.
Até que um dia, o mais frágil deles, entra sozinho em nossa casa, rouba-nos a lua, e, conhecendo nosso medo, arranca-nos a voz da garganta.
E porque não dissemos nada,
já não podemos dizer nada. (Maiakovski )
Primeiro levaram os negros
Mas não me importei com isso
Eu não era negro
Em seguida levaram alguns operários
Mas não me importei com isso
Eu também não era operário
Depois prenderam os miseráveis
Mas não me importei com isso
Porque eu não sou miserável
Depois agarraram uns desempregados
Mas como tenho meu emprego
Também não me importei
Agora estão me levando
Mas já é tarde.
Como eu não me importei com ninguém
Ninguém se importa comigo. (Bertold Brecht (1898-1956)
Um dia vieram e levaram meu vizinho que era judeu.
Como não sou judeu, não me incomodei.
No dia seguinte, vieram e levaram meu outro vizinho que era comunista.
Como não sou comunista, não me incomodei .
No terceiro dia vieram e levaram meu vizinho católico.
Como não sou católico, não me incomodei.
No quarto dia, vieram e me levaram;
já não havia mais ninguém para reclamar... (Martin Niemöller)
E AGORA JOSÉ
E AGORA MARIA
E AÍ PROFESSOR
E AÍ PROFESSORA
VAMOS CONTINUAR CALADOS?
ATÉ QUANDO???
domingo, 20 de abril de 2008
Ensino de Línguas
[ "Odds or evens" ]
A influência do folclore brasileiro no ensino de língua estrangeira
No ato de ensinar o professor traz consigo as lembranças das vivências como aluno e como ser no mundo desde a infância à vida atual, e entre elas está presente as artes folclóricas. [ A importância das datas comemorativas na aula de inglês ]
Valentine’s Day, Mother’s Day, Easter, Father’s Day, Halloween, Thanksgiving, Christmas…
Valentine’s Day, Mother’s Day, Easter, Father’s Day, Halloween, Thanksgiving, Christmas… Essas são algumas das datas comemorativas que podem e devem ser exploradas... [ Abreviações da Internet ]
Fast and Furious on MSN
[ Although & Even Though ]
Compreendendo e expressando os contrastes
[ Are you coming or are you going? ]
Come and go - what`s the difference?
[ As múltiplas expressões do verbo “to take” ]
Collocations with “take”
[ Bate-bola nas aulas de inglês ]
A copa do mundo nas aulas de ensino de línguas
[ Behind the words: Speak, talk, say and tell ]
Iguais, mas diferentes...
[ Birth and life of the English Language ]
A História da Língua Inglesa
[ Business English ]
To achieve success in business you have to communicate...
[ Conjunções ]
[ Countable and Uncountable Nouns ]
Erros comuns na utilização da língua Inglesa
[ Do & Make ]
Fazendo a diferença...
[ Don’t be confused! ]
still, yet e already
[ Each & Every ]
Just like the same...
[ Enganos e Desenganos ]
Erros comuns na utilização da língua inglesa
[ Estratégias para desenvolver seu inglês ]
Use o universo cultural e social para facilitar a aprendizagem
[ Everyday Idioms ]
O cotidiano através de expressões idiomáticas
[ Expressões Coloquiais ]
[ Falsos Cognatos ]
Quando somos enganados pelas palavras...
[ Football or Soccer? French Fries or Chips? ]
Diferenças entre o inglês norte-americano e o britânico
[ Halloween ]
Permitir ou não sua comemoração na escola?
[ I Missed or Lost the keys? ]
Palavras de Múltiplos Sentidos
[ Improve your English ]
Avoid some common mistakes
[ Irregular Verbs ]
Tirando dúvidas e desenrolando a língua
[ More than words ]
A riqueza dos provérbios e dizeres nas aulas de inglês
[ O que você precisa para aprender uma língua estrangeira? ]
As interferências no aprendizado de línguas...
[ Os contos de fadas nas aulas de Língua Inglesa ]
[ Phrasal Verbs ]
Combinações que dinamizam a linguagem
[ Prepositions of Time and Place ]
Como lidar um pouco melhor com as preposições em inglês
[ Promovendo a Inclusão nas Aulas de Inglês ]
Recursos e práticas que auxiliam os deficientes visuais
[ Quantos pensamentos passam pela sua cabeça por dia? ]
Antes de se falar em indisciplina em sala de aula, é importante primeiramente tentar entender quem são os alunos que temos atualmente e em que época eles vivem. Pare um pouco e reflita sobre esta afirmação: Você e seus alunos não tiveram o mesmo tipo de infância e, como conseqüência, o mesmo tipo de acesso às informações. [ Reading more, reading better ]
10 Dicas para aprimorar a leitura de seus textos em inglês
[ Reported Speech ]
Por vias indiretas...
“Reported Speech” é o discurso indireto. Usado para relatar o que aconteceu em um diálogo, sem que precisemos usar aspas ou citações. [ Slang ]
Gírias do Inglês
[ Slang ]
Por que ensinar gírias nas aulas de inglês?
Segundo o Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea (2001), língua é um "sistema de signos vocais, que podem ser transcritos graficamente, comuns a um povo, a uma nação, a uma cultura constituindo o seu instrumento de comunicação". [ Teacher, how can I say … in English? ]
Perguntas inusitadas nas aulas de Inglês
[ Tecnologia na Aula de Inglês ]
Learning english with computers, softwares and internet
As etapas normalmente realizadas durante uma aula de inglês como explanação de conteúdos, atividades lúdicas, exercícios escritos e orais podem ser desenvolvidas e aplicadas através da utilização de ferramentas tecnológicas como multimídia, processador de texto e etc. [ Tongue-twisters ]
A literatura dentro da sala de aula
[ Weights, Measures and Units ]
An authentic Tower of Babel
[ Words of Connection (Conectivos) ]
Pontos de encontro para as palavras
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CINEMA NA EDUCAÇÃO
João Luís Almeida Machado Editor do Portal Planeta Educação; Doutorando pela PUC-SP no programa Educação:Currículo; Mestre em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie(SP); Professor universitário e Pesquisador.
Uma lição de amor
Emoção a flor da pele
Sean Penn é um dos atores mais talentosos de sua geração. Não bastasse todo o talento que possui enquanto ator, Penn é uma das personalidades mais ativas e destacadas em termos de posicionamentos políticos que ousam desafiar a ordem estabelecida, opondo-se a direcionamentos e atitudes do governo americano e, colocando em risco suas economias para bancar projetos cinematográficos nos quais acredita.
"Uma lição de amor" vem comprovar a coerência de Penn, tanto por seu talento dramático (numa atuação que lhe valeu indicação ao Oscar) quanto por sua dedicação a causas justas, com as quais se identifica.
Se nos lembrarmos que na Antiguidade Clássica, particularmente entre os romanos, era comum o sacrifício de pessoas que apresentassem deficiências físicas ou mentais, podemos dizer que a sociedade evoluiu, aprimorou-se. Se, por outro lado, imaginarmos que há várias barreiras que ainda não foram transpostas, principalmente aquelas que dizem respeito à forma como os deficientes são encarados e tratados pelas outras pessoas, percebemos que ainda há muitas mudanças a serem implementadas.
O personagem Sam (interpretado de forma tocante por Sean Penn) vive dentro de condições que poderíamos considerar como adequadas no contexto atual, no que tange a uma pessoa deficiente que possui a idade mental equivalente a de uma criança de 7 anos de idade. Tem seu próprio apartamento, está empregado em uma lanchonete onde atua como garçom, recebe seus amigos para assistir vídeos clássicos e cuida de sua filhinha...
É justamente nesse ponto que as autoridades resolvem interferir, partindo do princípio de que Sam (Penn) seria incapaz de resolver os problemas e criar adequadamente a menina, especialmente a partir do momento em que ela ultrapassasse a capacidade mental do pai (o que ela estava prestes a fazer). A assistência social resolve tirar-lhe a guarda da criança e privar-lhe do direito de pleno exercício da paternidade respaldando-se na tese de que Sam é deficiente mental.
O filme nos coloca diante de uma situação singular, onde percebemos com clareza as impossibilidades de Sam e, ao mesmo tempo, vivenciamos através das imagens uma experiência única de paternidade, pautada numa relação carregada de emoção e presença, de participação e doação por parte do pai em relação à filha.
Some-se a tudo isso, a frieza do sistema judiciário norte-americano, onde a justiça despreza pormenores que podem ser decisivos para a solução de um caso traumático de separação entre pai e filha e temos uma idéia da trama do filme. Observem também que o contraponto da experiência vivida por Sam pode ser visto na figura de sua advogada de defesa, Rita Harrison (Michelle Pfeiffer), uma linda e bem sucedida profissional que mal tem tempo para ouvir o que seu filho tem a lhe dizer...
O filme
Sam Dawson (Sean Penn) ajeita nervosamente os saquinhos de adoçante e procura colocá-los em ordem. Todos têm que estar com o rótulo numa determinada direção e, com as palavras em posição que permita que sejam lidas. Essa sua disposição por ordem e arrumação não consegue fazer com que deixemos de perceber que Sam é uma pessoa que apresenta deficiências, visíveis a partir de seus tiques, de sua movimentação e de sua exasperação.
Em seu ambiente de trabalho conseguiu cativar aos colegas e, em sua vida particular, vive rodeado de amigos que, como ele, também apresentam dificuldades advindas de impossibilidades mentais.
Um acontecimento diferenciado, no entanto, marca a vida de Sam para sempre. Ao abrigar uma mulher sem-teto, acaba fazendo com que ela engravide. Cumprido o período de gestação, Sam sai do hospital acompanhado da mãe e com o bebê no colo. A mãe foge e abandona Sam e a recém-nascida. Inicia-se dessa forma uma relação totalmente diferenciada de paternidade.
Sam acolhe e cuida da criança com o auxílio de uma vizinha reclusa (vivida pela experiente Dianne Wiest). Alguns anos passam e a pequena Lucy Diamond Dawson (Dakota Fanning) se torna uma menina esperta e saudável, próxima de completar 7 anos de idade.
Quando a assistência social descobre que Sam (possuidor de idade mental equivalente a de uma criança de 7 anos) está criando a pequena Lucy, inicia-se uma luta judicial pelos direitos de criação e educação da menina. Lucy passa aos cuidados do juizado e, Sam tem que provar, com o auxílio de sua advogada Rita Harrison (Michelle Pfeiffer) que é plenamente capaz de amar e criar Lucy.
Prepare suas emoções! E não esqueça de deixar uma caixa de lenços do lado da poltrona...
Aos professores
1- Provoque a sensibilidade de seus alunos. Pergunte a eles como reagem quando em contato com pessoas que apresentam deficiências físicas ou mentais. Estimule-os a não agir movidos por um sentimento de piedade e, sim, a pensar essa relação como uma oportunidade de crescer, de auxiliar, de aprender e de desenvolver um sentimento verdadeiro de solidariedade. Os estudantes têm que entender que devem ajudar as pessoas deficientes a construir uma auto-estima positiva e de valorização pessoal e não de misericórdia e compaixão (lástima).
2- Há "uma lição de amor" no filme dada por Sam aos pais e mães que tanto se preocupam com a manutenção material de seus filhos e deixam de lado a afeição, a proximidade e a atenção que as crianças pedem, praticamente demandam e necessitam cotidianamente de seus pais. Temos prestado muito pouca atenção a isso e, as conseqüências futuras desse descaso podem ser percebidas e interpretadas a partir de atos de violência, apego às drogas, dificuldades de socialização, desinteresse pelos estudos e tantas outras situações. É preferível antecipar-se a problemas como esses a ter que remediá-los posteriormente!
3- Como o judiciário brasileiro reagiria diante de uma situação como essa? O filme pode servir como fio condutor de uma pesquisa de campo, com entrevistas a juízes, promotores e advogados ou ainda, consulta a códigos legais relativos a questão de família. Pode-se ainda questionar até que ponto nossos valores e orientações de base cristã católica nos levariam a agir de outra maneira no que se refere à situação apresentada no filme.
4- Traçar um paralelo entre os personagens de Sam (Sean Penn) e Rita Harrison (Michelle Pfeiffer) nos leva a pensar a respeito do caos que se instaura em nossas vidas em virtude do ritmo acelerado e do excesso de compromissos com os quais estamos envolvidos. Deixamos de lado nossa inocência e nossa meninice para assumirmos responsabilidades, em algum trecho desse caminho acabamos perdendo o rumo e deixamos de sorrir, de nos sensibilizar, de amar com intensidade, de nos divertir...
Obs. A trilha sonora do filme é recheada de sucessos inesquecíveis dos Beatles, que serviram de inspiração para a vida do personagem Sam e o estimularam a dar o nome Lucy Diamond a sua filha (título de uma das mais famosas canções do mais conhecido grupo de rock de todos os tempos, "Lucy in the Sky with Diamonds", que serviria de mensagem cifrada para LSD, ou seja, ácido lisérgico, droga das mais pesadas, utilizada com certa freqüência durante os anos 1960 e 1970).
João Luís Almeida Machado
Mestre em Educação, Arte e História da Cultura (Universidade Presbiteriana Mackenzie, em São Paulo);
Professor universitário atuando na Faculdade Senac em Campos do Jordão; Professor de Ensino Médio e
Fundamental em Caçapava, SP; Editor do Portal Planeta Educação
Ficha Técnica
Uma lição de amor
(I am Sam)
País/Ano de produção:- EUA, 2001
Duração/Gênero:- 133 min., Drama
Disponível em VHS e DVD
Direção de Jessie Nelson
Roteiro de Jessie Nelson e Kristine Johnson
Elenco:- Sean Penn, Michelle Pfeiffer, Dianne Wiest,
Laura Dern, Dakota Fanning, Joseph Rosenberg, Brad Silverman.
Links
- http://e-pipoca.cidadeinternet.com.br/filmes_zoom.cfm?id=3793
- http://www.adorocinema.com/filmes/licao-de-amor/licao-de-amor.htm
- http://www.cineguia.com.br/index.shtml?cod_filme=CNA23979&rg=0
- http://www.newline.com/sites/iamsam/ (site oficial)
segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008
O assassinato da literatura, segundo Todorov
Justo Barranco (Em Barcelona)
"Estamos assassinando a literatura." Ou "na escola hoje não se aprende de que falam os livros, mas de que críticos falam." São duas das afirmações que Tzvetan Todorov (nascido em Sófia, Bulgária, em 1939), um dos teóricos da literatura com maior influência nas últimas décadas, lança em seu último livro, "La literatura en perill" (editora Galáxia Gutenberg), recém-apresentado junto com "Los aventureros del absoluto", um ensaio sobre Wilde, Rilke e Tsvietaieva. Todorov diz que "La literatura en perill" não é um "mea culpa", mas que se sente "um pouco responsável" pela situação atual. "Nos anos 60 e 70 tentei equilibrar os estudos literários -então divididos em países e séculos- contribuindo com uma abordagem mais interna da literatura", de suas estruturas e formas.
A partir da situação da literatura na França de hoje, de seu ensino, seus críticos e certas correntes dos escritores atuais que parecem não lhe agradar muito, Todorov, que vive nesse país desde 1963, se interroga, segundo diz, "sobre a própria identidade da literatura em nosso mundo contemporâneo". "No livro estudo a evolução da literatura desde o século das luzes até o presente, e essa evolução parece levar a uma separação entre a literatura e a vida dos homens e mulheres comuns. E eu evidentemente defendo a tese oposta: que a literatura está profundamente ligada à compreensão da condição humana. Se não, já teria desaparecido", afirma.
"Os alunos na escola não compreendem por que têm estudos literários, de letras, nos quais aprendem figuras de retórica ou procedimentos narrativos. Pensam que os preparam exclusivamente para a profissão de professor de literatura. E é absurdo que seja assim, porque a literatura não serve para preparar professores de literatura. Ao contrário, é para um melhor conhecimento do ser humano, e disso todos temos necessidade", lamenta.
Ele indica que "demonstra certa falta de humildade o fato de impor nossas próprias teorias sobre as obras, em vez das obras em si". "Voltar a centrar o ensino das letras nos textos corresponderia, sem dúvida, aos desejos ocultos da maioria dos professores, que escolheram seu ofício porque amam a literatura. É a literatura que está destinada a todo o mundo, e não os estudos literários", reclama.
Escritores e críticos
Mas, diz Todorov, "a concepção redutora da literatura não se manifesta só nas aulas das escolas ou das universidades; também é representada em abundância entre os jornalistas que resenham os livros e inclusive entre os próprios escritores". Nesse sentido, salienta, "houve uma evolução que faz que os criadores dêem a impressão de escrever para a crítica, algo que também acontece com a pintura e a arte conceitual".
E ataca três correntes de escritores: os formalistas, nos quais a literatura só fala dela mesma, com construções engenhosas, simetrias e ecos diversos; a corrente niilista, "segundo a qual os homens são estúpidos e malvados e a destruição e a violência mostram a verdade da condição humana, vendo a vida como o advento de um desastre"; e uma vertente do niilismo: o solipsismo, no qual "quanto mais repugnante for o mundo mais fascinante é o eu". O autor solipsista, diz Todorov, "descreve em todo detalhe suas mínimas emoções".
E o assunto, diz ele, "não é que a literatura seja uma técnica de cura anímica, mas pode transformar cada um de nós por dentro". Acrescenta que "o leitor comum, que continua buscando nas obras que lê algo que dê sentido a sua vida, tem razão de se opor aos professores, críticos e escritores que lhe dizem que a literatura só fala de si mesma, ou que só ensina a desesperança". Porque, na opinião de Todorov, "o que os romances nos dão não é um novo saber, mas uma nova capacidade de comunicação com seres diferentes de nós". "E pensar e sentir adotando o ponto de vista dos outros, pessoas reais ou personagens literários, é o único meio de caminhar para a universalidade, e isso inclui os livros que o crítico profissional considera com condescendência, senão com menosprezo, desde 'Os Três Mosqueteiros' até 'Harry Potter'".
Todorov "aconselharia [os professores] a partir de textos em que haja um interesse evidente para os alunos e ir progressivamente para textos mais distantes, de mundos que lhes sejam mais estranhos. E falar do que falam os livros e não só do livro. Creio que todos os alunos podem se reconhecer nas histórias de identidade, amor, depressão ou violência que os livros contam. É preciso fazer que os alunos voltem a encontrar o interesse pela literatura."
Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves
Visite o site do La Vanguardia
"Condicionamento ..."
Não acredite em qualquer coisa simplesmente porque foi dito e fofocado por muitos.
Não acredite em qualquer coisa simplesmente porque foi encontrado escrito em seus livros religiosos.
Não acredite em qualquer coisa meramente na autoridade de seus professores e anciãos.
Não acredite em tradições porque elas foram passadas abaixo por gerações.
Mas após observação e análise, quando você descobre que qualquer coisa concorda com a razão e é condutivo ao bem e benefício de um e todos,
então aceite e viva para isso."
Siddartha Gautama
quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008
ESPELHO ESPELHO MEU...
Retrato
Eu não tinha este rosto de hoje,
assim calmo, assim triste, assim magro,
nem estes olhos tão vazios,
nem o lábio amargo.
Eu não tinha estas mãos sem força,
tão paradas e frias e mortas;
eu não tinha este coração
que nem se mostra.
Eu não dei por esta mudança,
tão simples, tão certa, tão fácil:
— Em que espelho ficou perdida
a minha face?
quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008
"Depois de algum tempo você aprende a diferença, a sutil diferença entre dara mão e acorrentar a alma. E você aprende que amar não significa apoiar-se,e que companhia nem sempre significa segurança. E começa aprender que beijos não são contratos, e que presentes não são promessas. E começa a aceitar suas derrotas com a cabeça erguida e os olhos adiante, com graça de um adulto e não a tristeza de uma criança. E aprende a construir todas as suas estradas no hoje, porque o terreno do amanhã é incerto demais para os planos, e o futuro tem o costume de cair meio em vão."
"Depois de algum tempo, você aprende que o sol queima, se ficar a ele exposto por muito tempo. E aprende que, não importa o quanto você se importe, algumas pessoas simplesmente não se importam... E aceita que, não importam quão boa seja uma pessoa, ela vai feri-lo (a) de vez em quando, e você precisa perdoa-la por isso. Aprende que falar pode aliviar dores emocionais. Descobre que leva-se anos para construir confiança e apenas segundos para destruí-la, e que você pode fazer coisas em um instante, das quais se arrependerá para o resto da vida. Aprende que verdadeiras amizades continuam a crescer, mesmo a longas distâncias. E o que importa não é o que você tem na vida, mas quem você tem na vida. E que bons amigos são a família que nos permitiram escolher. Aprende que não temos que mudar de amigos, se compreendermos que os amigos mudam. Percebe que seu melhor amigo e você podem fazer qualquer coisa, ou nada, e terem bons momentos juntos. Descobre que as pessoas com que você mais se importa na vida são tomadas de você muito depressa, por isso, devemos deixar as pessoas que amamos com palavras amorosas, pode ser a última vez que as vejamos."
"Aprende que as circunstâncias e os ambientes têm muita influência sobre nós, mas que nós somos responsáveis por nós mesmos. Começa a aprender que não se deve comparar com os outros, mas com o melhor que você pode ser. Descobre que leva muito tempo para se chegar aonde está indo, mas que, se você não sabe para onde está indo, qualquer lugar serve. Aprende que, ou você controla seus atos ou eles o controlarão, e não importa quão delicada e frágil seja uma situação, sempre existem dois lados."
"Aprende que heróis são pessoas que fizeram o que era necessário fazer,enfrentando as conseqüências. Aprende que paciência requer muita prática.Descobre que algumas vezes, a pessoa que você espera que o chute, quando você cai, é uma das poucas pessoas que o ajudam a levantar-se. Aprende que a maturidade tem mais a ver com tipos de experiências que se teve e o que se aprendeu com elas, do que com quantos aniversários você celebrou. Aprende que há mais de seus pais em você do que você supunha. Aprende que nunca se deve dizer a uma criança que sonhos são bobagens, poucas coisas são tão humilhantes, e seria uma tragédia se ela acreditasse nisso.
Aprende que quando está com raiva, tem direito de estar com raiva, mas isso não lhe dá o direito de ser cruel. Descobre que só porque alguém não o ama mais do jeito que você quer não significa que esse alguém não o ame com todas as forças, pois existem pessoas que nos amam, mas simplesmente não sabem como demonstrar ou viver isso. Aprende que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém, e que algumas vezes, você tem que aprender a perdoar a si mesmo."
"E que, com a mesma severidade com que julga, será em algum momento condenado. Aprende que não importa em quantos pedaços seu coração foi partido, o mundo não pára, para que você
junte seus cacos. Aprende que o tempo não é algo que se possa voltar para trás. Portanto, plante seu jardim e decore sua alma, ao invés de esperar que alguém lhe traga flores. E vocêaprende realmente que pode suportar... que realmente é forte, e que pode ir mais longe, depois de pensar que não pode mais. E que realmente a vida tem valor diante da vida !!!"
William Shakespeare
quinta-feira, 31 de janeiro de 2008
Wander Lee
"To relendo minha lida, minha alma, meus amores
To revendo minha vida, minha luta, meus valores
Refazendo minhas forças, minhas fontes, meus favores
Tô regando minhas folhas, minhas faces, minhas flores
To limpando minha casa, minha cama, meu quartinho
Tô soprando minha brasa, minha brisa, meu anjinho
To bebendo minhas culpas, meu veneno, meu vinho
Escrevendo minhas cartas, meu começo, meu caminho
Estou podando meu jardim
Estou cuidando bem de mim"
Comentário:
Uma simples canção com um teor profundo para quem quer se conhecer, a fim de ser alguém maduro, equilibrado e sensível.
sexta-feira, 25 de janeiro de 2008
Pra se pensar...
Deborah Clasen - Pedagoga Empresarial
SOBRE O BRASIL
'Os brasileiros acham que o mundo todo presta, menos o Brasil.
E realmente parece que é um vício falar mal do Brasil.
Todo lugar tem seus pontos positivos e negativos, mas no exterior eles maximizam os positivos, enquanto no Brasil se maximizam os negativos.
Aqui na Holanda, os resultados das eleições demoram horrores porque não é nada automatizado. Só existe uma companhia telefônica e (pasmem!) se você ligar reclamando do serviço, corre o risco de ter seu telefone temporariamente desconectado.
Nos Estados Unidos e na Europa, ninguém tem o hábito de enrolar o sanduíche em um guardanapo - ou de lavar as mãos - antes de comer. Nas padarias, feiras e açougues europeus, os atendentes recebem o dinheiro e com mesma mão suja entregam o pão ou a carne.
Em Londres, existe um lugar famosíssimo que vende batatas fritas enroladas em folhas de jornal - e tem fila na porta.
Na Europa, não-fumante é minoria. Se pedir mesa de não- fumante, o garçom ri na sua cara, porque não existe. Fumam até em elevador. Em Paris , os garçons são conhecidos por seu mau humor e grosseria qualquer garçom de botequim no Brasil podia ir para lá dar aulas de como conquistar o cliente.'
Você sabe como as grandes potências fazem para destruir um povo? Impõem suas crenças e cultura. Se você parar para observar, emtodo filme dos EUA a bandeira nacional aparece, e geralmente na hora em que estamos emotivos.
O Brasil tem uma língua que, apesar de não se parecer quase nada com língua portuguesa, é chamada de língua portuguesa, enquanto que as empresas de software a chamam de português brasileiro, porque não conseguem se comunicar com os seus usuários brasileiros através da língua Portuguesa.
Os brasileiros são vítimas de vários crimes contra sua pátria, crenças, cultura, língua, etc...
Os brasileiros mais esclarecidos sabem que tem muitas razões para resgatar as raízes culturais.
Os dados são da Antropos Consulting:
1. O Brasil é o país que tem tido maior sucesso no combate à AIDS e outras doenças sexualmente transmissíveis, e vem sendo exemplo mundial.
2. O Brasil é o único país do hemisfério sul que está
participando do Projeto Genoma.
3. Numa pesquisa envolvendo 50 cidades de diversos países, a cidade do Rio de Janeiro foi considerada a mais solidária.
4. Nas eleições de 2000, o sistema do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) estava informatizado em todas as regiões do Brasil, com resultados em menos de 24 horas depois do início das apurações. O modelo chamou a atençào de uma das maiores potências mundiais: os Estados Unidos, onde a apuração dos votos teve que ser refeita várias vezes, atrasando o resultado e colocando em xeque a credibilidade do processo.
5. Mesmo sendo um país em desenvolvimento, os internautas brasileiros representam uma fatia de 40% do mercado na América Latina.
6. No Brasil, há 14 fábricas de veículos instaladas e outras 4 se instalando, enquanto alguns países vizinhos não possuem nenhuma.
7. Das crianças e adolescentes entre 7 a 14 anos, 97,3% estão estudando.
8. O mercado de telefones celulares do Brasil é o segundo do mundo, com 650 mil novas habilitações a cada mês.
9. Na telefonia fixa, o país ocupa a quinta posição em número de linhas instaladas.
10. Das empresas brasileiras, 6.890 possuem certificado de qualidade ISO 9000, maior número entre os países em desenvolvimento. NoMéxico, tem apenas 300 empresas e 265 na Argentina.
11. O Brasil é o segundo maior mercado de jatos e helicópteros executivos..
12. Por que nao se orgulhar em dizer que o mercado editorial de livros é 20% maior do que o da Itália, com mais de 50 mil títulos novos a cada ano.
13. Que o Brasil tem o mais moderno sistema bancário do planeta?
14. Que as agências de publicidade ganham os melhores e maiores prêmios mundiais?
15 Por que não se fala que o Brasil é o país mais empreendedor do mundo e que mais de 70% dos brasileiros, pobres e ricos, dedicam considerável parte de seu tempo em trabalhos voluntários?
16. Por que não dizer que o Brasil é hoje a terceira maior democracia do mundo?
17. Que apesar de todas as mazelas, o Congresso está punindo seus próprios membros, o que raramente ocorre em outros países ditos civilizados?
18. Por que não lembrar que o povo brasileiro é um povo hospitaleiro, que se esforça para falar a língua dos turistas, gesticula e não mede esforços para atendê-los bem?
19. Por que não se orgulhar de ser um povo que faz piada da própria desgraça e que enfrenta os desgostos sambando. É! O Brasil é um país abençoado de fato.
20. Que os brasileiros são considerados os maiores amantes do mundo, enquanto que os ingleses e os árabes são os piores?
21. Que os brasileiros tomam banho todos os dias, às vezes mais de um por dia enquanto que os europeus tomam em média um por semana? O país do mundo onde a Gessy Lever mais vende sabonetes é o Brasil.
Bendito este povo, que possui a magia de unir todas as raças, de todosos credos. Bendito este povo, que sabe entender todos os sotaques. Bendito este povo que oferece todos os tipos de climas para contentar toda gente.
Por que o brasileiro tem a mania de só ser nacionalista e patriota durante a Copa do Mundo?
Se fossem assim todos os dias, vibrador como é durante a Copa, talvez,hoje o Brasil seria uma super potência...
Bendita seja, querida pátria chamada Brasil!
Divulgue esta mensagem para o máximo de pessoas que você puder. Com essa atitude, talvez não consigamos mudar o modo de pensar de cada brasileiro, mas ao ler estas palavras todos irão, pelo menos por alguns momentos, refletir e sentir orgulho de ser BRASILEIRO!!!
Acorda! Chega de sofrer de SCV (Síndrome do Cachorro Vira-lata).
Meus sites preferidos.
http://www.bibvirt.futuro.usp.br/textos/literatura/por_genero
http://www.bibvirt.futuro.usp.br/textos/literatura/por_titulo
http://www.luis.blog.br/as-100-palavras-mais-usadas-no-ingles.aspx.
http://www.dicas-l.com.br/dicas-l/19971002.php
http://www.luis.blog.br/as-250-palavras-mais-comuns-na-lingua-inglesa.aspx
www.mec.gov.br/
www.educacao.sp.gov.br/
http://www.revistaeducacao.uol.com.br/
www.planetaeducacao.com.br/
http://teia2007.blogspot.com
As meninas
Minhas meninas...meus amores
FERNANDO, JOAQUIM, ...grandes pensadores
Fernando Antonio Nogueira Pessoa (1888-1935, Lisboa), poeta e escritor português. Pessoa é considerado junto de Luís Vaz de Camões um dos mais importantes poetas de Língua Portuguesa.
“Amo como ama o amor. Não conheço nenhuma outra razão para amar senão amar. Que queres que te diga, além de que te amo, se o que quero dizer-te é que te amo?”
“As vezes ouço passar o vento; e só de ouvir o vento passar, vale a pena ter nascido.”. “Para viajar basta existir.”
“Tenho em mim todos os sonhos do mundo.”
“Tudo vale a pena quando a alma não é pequena”
"O valor das coisas não está no tempo
em que elas duram, mas
na intensidade com que acontecem.
Por isso existem momentos
inesquecíveis,coisas inexplicáveis
e pessoas incomparáveis".
(Fernando Pessoa)
"O que se precisa para ser feliz? Trabalho e amor." [Sigmund Freud]
"Um país se faz com homens e livros". (Monteiro Lobato)
SAI - AMA - 2007
"O tempo é o campo do desenvolvimento humano." [Karl Marx]
AHSS - HORA DA LEITURA - 2007
Um país se faz com homens e livros
Hora da Leitura AHSS 2007
Para a treva só há um remédio, a luz.
SAI 2007 AHSS
"Cem frases que resumissem a sabedoria universal tornariam dispensáveis os livros." [Carlos Drummond de Andrade]
SAI - AHSS - 2007
"Liberdade é uma palavra que o sonho humano alimenta, não há ninguém que explique e ninguém que não entenda." [Cecília Meireles]
AMA - SAI - 2007
O olho do homem serve de fotografia ao invisível, como o ouvido serve de eco ao silêncio. (Esaú e Jacó)
SAI - AHSS - 2007
"Descobri que a leitura é uma forma servil de sonhar. Se tenho de sonhar, porque não sonhar os meus próprios sonhos? " [Fernando Pessoa]
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Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina. (Cora Coralina)
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