Meu jardim
"To relendo minha lida, minha alma, meus amores
To revendo minha vida, minha luta, meus valores
Refazendo minhas forças, minhas fontes, meus favores
Tô regando minhas folhas, minhas faces, minhas flores
To limpando minha casa, minha cama, meu quartinho
Tô soprando minha brasa, minha brisa, meu anjinho
To bebendo minhas culpas, meu veneno, meu vinho
Escrevendo minhas cartas, meu começo, meu caminho
Estou podando meu jardim
Estou cuidando bem de mim"
Comentário:
Uma simples canção com um teor profundo para quem quer se conhecer, a fim de ser alguém maduro, equilibrado e sensível.
" A ausência de fé ou de uma crença consciente, na vida de um indivíduo, diminui a sua resistência e a capacidade de reação ao mundo, tornando-o presa dos instintos de sua natureza animal. Torna-se, assim , um causador de moléstias a si mesmo e aos outros, e tudo pelo pouco conhecimento que tem do básico e da verdade".
Quem sou eu
- Madomare
- São José dos Campos, São Paulo, Brazil
- "Sou como você me vê. Posso ser leve como uma brisa ou forte como uma ventania. Depende de quando e como você me vê passar. (Clarice Lispector)
quinta-feira, 31 de janeiro de 2008
sexta-feira, 25 de janeiro de 2008
Pra se pensar...
COMENTÁRIOS DE UMA HOLANDESA
Deborah Clasen - Pedagoga Empresarial
SOBRE O BRASIL
'Os brasileiros acham que o mundo todo presta, menos o Brasil.
E realmente parece que é um vício falar mal do Brasil.
Todo lugar tem seus pontos positivos e negativos, mas no exterior eles maximizam os positivos, enquanto no Brasil se maximizam os negativos.
Aqui na Holanda, os resultados das eleições demoram horrores porque não é nada automatizado. Só existe uma companhia telefônica e (pasmem!) se você ligar reclamando do serviço, corre o risco de ter seu telefone temporariamente desconectado.
Nos Estados Unidos e na Europa, ninguém tem o hábito de enrolar o sanduíche em um guardanapo - ou de lavar as mãos - antes de comer. Nas padarias, feiras e açougues europeus, os atendentes recebem o dinheiro e com mesma mão suja entregam o pão ou a carne.
Em Londres, existe um lugar famosíssimo que vende batatas fritas enroladas em folhas de jornal - e tem fila na porta.
Na Europa, não-fumante é minoria. Se pedir mesa de não- fumante, o garçom ri na sua cara, porque não existe. Fumam até em elevador. Em Paris , os garçons são conhecidos por seu mau humor e grosseria qualquer garçom de botequim no Brasil podia ir para lá dar aulas de como conquistar o cliente.'
Você sabe como as grandes potências fazem para destruir um povo? Impõem suas crenças e cultura. Se você parar para observar, emtodo filme dos EUA a bandeira nacional aparece, e geralmente na hora em que estamos emotivos.
O Brasil tem uma língua que, apesar de não se parecer quase nada com língua portuguesa, é chamada de língua portuguesa, enquanto que as empresas de software a chamam de português brasileiro, porque não conseguem se comunicar com os seus usuários brasileiros através da língua Portuguesa.
Os brasileiros são vítimas de vários crimes contra sua pátria, crenças, cultura, língua, etc...
Os brasileiros mais esclarecidos sabem que tem muitas razões para resgatar as raízes culturais.
Os dados são da Antropos Consulting:
1. O Brasil é o país que tem tido maior sucesso no combate à AIDS e outras doenças sexualmente transmissíveis, e vem sendo exemplo mundial.
2. O Brasil é o único país do hemisfério sul que está
participando do Projeto Genoma.
3. Numa pesquisa envolvendo 50 cidades de diversos países, a cidade do Rio de Janeiro foi considerada a mais solidária.
4. Nas eleições de 2000, o sistema do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) estava informatizado em todas as regiões do Brasil, com resultados em menos de 24 horas depois do início das apurações. O modelo chamou a atençào de uma das maiores potências mundiais: os Estados Unidos, onde a apuração dos votos teve que ser refeita várias vezes, atrasando o resultado e colocando em xeque a credibilidade do processo.
5. Mesmo sendo um país em desenvolvimento, os internautas brasileiros representam uma fatia de 40% do mercado na América Latina.
6. No Brasil, há 14 fábricas de veículos instaladas e outras 4 se instalando, enquanto alguns países vizinhos não possuem nenhuma.
7. Das crianças e adolescentes entre 7 a 14 anos, 97,3% estão estudando.
8. O mercado de telefones celulares do Brasil é o segundo do mundo, com 650 mil novas habilitações a cada mês.
9. Na telefonia fixa, o país ocupa a quinta posição em número de linhas instaladas.
10. Das empresas brasileiras, 6.890 possuem certificado de qualidade ISO 9000, maior número entre os países em desenvolvimento. NoMéxico, tem apenas 300 empresas e 265 na Argentina.
11. O Brasil é o segundo maior mercado de jatos e helicópteros executivos..
12. Por que nao se orgulhar em dizer que o mercado editorial de livros é 20% maior do que o da Itália, com mais de 50 mil títulos novos a cada ano.
13. Que o Brasil tem o mais moderno sistema bancário do planeta?
14. Que as agências de publicidade ganham os melhores e maiores prêmios mundiais?
15 Por que não se fala que o Brasil é o país mais empreendedor do mundo e que mais de 70% dos brasileiros, pobres e ricos, dedicam considerável parte de seu tempo em trabalhos voluntários?
16. Por que não dizer que o Brasil é hoje a terceira maior democracia do mundo?
17. Que apesar de todas as mazelas, o Congresso está punindo seus próprios membros, o que raramente ocorre em outros países ditos civilizados?
18. Por que não lembrar que o povo brasileiro é um povo hospitaleiro, que se esforça para falar a língua dos turistas, gesticula e não mede esforços para atendê-los bem?
19. Por que não se orgulhar de ser um povo que faz piada da própria desgraça e que enfrenta os desgostos sambando. É! O Brasil é um país abençoado de fato.
20. Que os brasileiros são considerados os maiores amantes do mundo, enquanto que os ingleses e os árabes são os piores?
21. Que os brasileiros tomam banho todos os dias, às vezes mais de um por dia enquanto que os europeus tomam em média um por semana? O país do mundo onde a Gessy Lever mais vende sabonetes é o Brasil.
Bendito este povo, que possui a magia de unir todas as raças, de todosos credos. Bendito este povo, que sabe entender todos os sotaques. Bendito este povo que oferece todos os tipos de climas para contentar toda gente.
Por que o brasileiro tem a mania de só ser nacionalista e patriota durante a Copa do Mundo?
Se fossem assim todos os dias, vibrador como é durante a Copa, talvez,hoje o Brasil seria uma super potência...
Bendita seja, querida pátria chamada Brasil!
Divulgue esta mensagem para o máximo de pessoas que você puder. Com essa atitude, talvez não consigamos mudar o modo de pensar de cada brasileiro, mas ao ler estas palavras todos irão, pelo menos por alguns momentos, refletir e sentir orgulho de ser BRASILEIRO!!!
Acorda! Chega de sofrer de SCV (Síndrome do Cachorro Vira-lata).
Deborah Clasen - Pedagoga Empresarial
SOBRE O BRASIL
'Os brasileiros acham que o mundo todo presta, menos o Brasil.
E realmente parece que é um vício falar mal do Brasil.
Todo lugar tem seus pontos positivos e negativos, mas no exterior eles maximizam os positivos, enquanto no Brasil se maximizam os negativos.
Aqui na Holanda, os resultados das eleições demoram horrores porque não é nada automatizado. Só existe uma companhia telefônica e (pasmem!) se você ligar reclamando do serviço, corre o risco de ter seu telefone temporariamente desconectado.
Nos Estados Unidos e na Europa, ninguém tem o hábito de enrolar o sanduíche em um guardanapo - ou de lavar as mãos - antes de comer. Nas padarias, feiras e açougues europeus, os atendentes recebem o dinheiro e com mesma mão suja entregam o pão ou a carne.
Em Londres, existe um lugar famosíssimo que vende batatas fritas enroladas em folhas de jornal - e tem fila na porta.
Na Europa, não-fumante é minoria. Se pedir mesa de não- fumante, o garçom ri na sua cara, porque não existe. Fumam até em elevador. Em Paris , os garçons são conhecidos por seu mau humor e grosseria qualquer garçom de botequim no Brasil podia ir para lá dar aulas de como conquistar o cliente.'
Você sabe como as grandes potências fazem para destruir um povo? Impõem suas crenças e cultura. Se você parar para observar, emtodo filme dos EUA a bandeira nacional aparece, e geralmente na hora em que estamos emotivos.
O Brasil tem uma língua que, apesar de não se parecer quase nada com língua portuguesa, é chamada de língua portuguesa, enquanto que as empresas de software a chamam de português brasileiro, porque não conseguem se comunicar com os seus usuários brasileiros através da língua Portuguesa.
Os brasileiros são vítimas de vários crimes contra sua pátria, crenças, cultura, língua, etc...
Os brasileiros mais esclarecidos sabem que tem muitas razões para resgatar as raízes culturais.
Os dados são da Antropos Consulting:
1. O Brasil é o país que tem tido maior sucesso no combate à AIDS e outras doenças sexualmente transmissíveis, e vem sendo exemplo mundial.
2. O Brasil é o único país do hemisfério sul que está
participando do Projeto Genoma.
3. Numa pesquisa envolvendo 50 cidades de diversos países, a cidade do Rio de Janeiro foi considerada a mais solidária.
4. Nas eleições de 2000, o sistema do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) estava informatizado em todas as regiões do Brasil, com resultados em menos de 24 horas depois do início das apurações. O modelo chamou a atençào de uma das maiores potências mundiais: os Estados Unidos, onde a apuração dos votos teve que ser refeita várias vezes, atrasando o resultado e colocando em xeque a credibilidade do processo.
5. Mesmo sendo um país em desenvolvimento, os internautas brasileiros representam uma fatia de 40% do mercado na América Latina.
6. No Brasil, há 14 fábricas de veículos instaladas e outras 4 se instalando, enquanto alguns países vizinhos não possuem nenhuma.
7. Das crianças e adolescentes entre 7 a 14 anos, 97,3% estão estudando.
8. O mercado de telefones celulares do Brasil é o segundo do mundo, com 650 mil novas habilitações a cada mês.
9. Na telefonia fixa, o país ocupa a quinta posição em número de linhas instaladas.
10. Das empresas brasileiras, 6.890 possuem certificado de qualidade ISO 9000, maior número entre os países em desenvolvimento. NoMéxico, tem apenas 300 empresas e 265 na Argentina.
11. O Brasil é o segundo maior mercado de jatos e helicópteros executivos..
12. Por que nao se orgulhar em dizer que o mercado editorial de livros é 20% maior do que o da Itália, com mais de 50 mil títulos novos a cada ano.
13. Que o Brasil tem o mais moderno sistema bancário do planeta?
14. Que as agências de publicidade ganham os melhores e maiores prêmios mundiais?
15 Por que não se fala que o Brasil é o país mais empreendedor do mundo e que mais de 70% dos brasileiros, pobres e ricos, dedicam considerável parte de seu tempo em trabalhos voluntários?
16. Por que não dizer que o Brasil é hoje a terceira maior democracia do mundo?
17. Que apesar de todas as mazelas, o Congresso está punindo seus próprios membros, o que raramente ocorre em outros países ditos civilizados?
18. Por que não lembrar que o povo brasileiro é um povo hospitaleiro, que se esforça para falar a língua dos turistas, gesticula e não mede esforços para atendê-los bem?
19. Por que não se orgulhar de ser um povo que faz piada da própria desgraça e que enfrenta os desgostos sambando. É! O Brasil é um país abençoado de fato.
20. Que os brasileiros são considerados os maiores amantes do mundo, enquanto que os ingleses e os árabes são os piores?
21. Que os brasileiros tomam banho todos os dias, às vezes mais de um por dia enquanto que os europeus tomam em média um por semana? O país do mundo onde a Gessy Lever mais vende sabonetes é o Brasil.
Bendito este povo, que possui a magia de unir todas as raças, de todosos credos. Bendito este povo, que sabe entender todos os sotaques. Bendito este povo que oferece todos os tipos de climas para contentar toda gente.
Por que o brasileiro tem a mania de só ser nacionalista e patriota durante a Copa do Mundo?
Se fossem assim todos os dias, vibrador como é durante a Copa, talvez,hoje o Brasil seria uma super potência...
Bendita seja, querida pátria chamada Brasil!
Divulgue esta mensagem para o máximo de pessoas que você puder. Com essa atitude, talvez não consigamos mudar o modo de pensar de cada brasileiro, mas ao ler estas palavras todos irão, pelo menos por alguns momentos, refletir e sentir orgulho de ser BRASILEIRO!!!
Acorda! Chega de sofrer de SCV (Síndrome do Cachorro Vira-lata).
domingo, 6 de janeiro de 2008
Respeito ao próximo e a Natureza
Nos últimos anos fala -se muito em aquecimento global, falta de água, respeito a natureza...Não estou questionando, isto é fato! Mas tal situação me remeteu a um grande homem, o maior escritor brasileiro de todos os tempos . Gago, epiléptico, de saúde frágil, Machado de Assis cresceu no Morro do Livramento. Mesmo tendo freqüentado apenas a escola primária, pois foi obrigado a trabalhar desde a infância para se sustentar, ele conseguiu alcançar a mais alta posição dentro da literatura nacional e mundial. O que faz do autor um exemplo de determinação.
A posição que alcançou, em um país que ainda era uma monarquia escravocrata, durante parte de sua vida, é apenas uma das incontáveis façanhas deste gênio das letras brasileiras. Seu espírito decidido e seu poder criativo conseguiram levá-lo do Morro à Academia Brasileira de Letras, instituição da qual foi um dos fundadores e presidente perpétuo. Viveu o fim do Romantismo e o começo do Realismo. Seus romances de forma realista demonstra a sua vocação verdadeira: contar a essência do homem em sua precariedade existencial. Do ponto de vista humano Machado de Assis, em sua obra Memórias Póstumas de Brás Cubas desnuda a natureza humana. A vida vem à tona nas frustrações, nos rancores, nas vaidades, nos ciúmes, nos desvios de personalidade, na mesquinhez do caráter e nas atitudes e sentimentos denunciadores da pequenez humana. Afinal, qual a condição humana? Que papel tem o homem na vida? A existência humana leva-nos a que destino?
“A revolução dessa Obra, que parece cavar um fosso entre dois mundos, foi uma revolução ideológica e formal: aprofundando o desprezo às idealizações românticas e ferindo no cerne o mito do narrador onisciente, que tudo vê e tudo julga, deixou emergir a consciência nua do indivíduo, fraco e incoerente. O que restou foram as memórias de um homem igual a tantos outros, o cauto e desfrutador Brás Cubas”. ( BOSI, 1987:177)
As palavras de Alfredo Bosi em sua Obra História Concisa da Literatura Brasileira afirmam que as bases filosóficas da segunda metade do século XIX, estão baseadas no Determinismo, no Positivismo e no Evolucionismo, e evidenciam inéditas observações sobre o comportamento humano. A arte então passa a ser a representação metafórica da História, apresentando por sua vez, novos paradigmas, reunidos sob o nome de Realismo.
No plano sócio-econômico, a burguesia conquistará definitivamente o poder. O desenvolvimento científico, materialista e racional substituirá o idealismo e o tradicionalismo, mostrando-se no crescimento das cidades, na instalação de fábricas, na utilização de novas formas de energia e em maneiras de viver que, se por um lado revelam um grupo social em flagrante progresso, por outro lado deixam à mostra o vazio da existência humana.
Quando Machado de Assis escreveu Memórias Póstumas de Brás Cubas fez um livro da época. O defunto narra uma história em 1881, que ocorreu em 1969. Ele consegue trazer para o presente uma história do passado. Quanto ao delírio de morte Brás Cubas encontra-se com a Mãe Natureza e esta lhe cobra ...levando-o até ao início dos tempos..."para o tempo não importa o minuto que passa, mas o minuto que vem..."
Incrível a consciência, a evolução deste ser humano. Ele consegue demonstrar isso através de situações vividas pela pernonagem mas que na realidade é dele próprio.Uma vida medíocre, cheia de insucessos e de pouco valor no que diz respeito à moralidade e evolução como ‘ser humano’. Brás Cubas não teve nenhum trabalho digno, pelo simples fato de ter dinheiro e estar sempre ocupado com sua(s) amante(s), que não tenham nenhuma moral. Já no início , se diz um defunto autor.
Quando se dá conta de que havia morrido, sente ‘frio’ , o que o leva até o início dos fins. A visão de que a vida termine com a morte. Mas como? Se ainda existem memórias após cem anos? E se existe o fim, onde começa o início? E é a partir da morte, que Brás Cubas consegue analisar toda sua vida de maneira crítica e muitas vezes bem-humorada, pois:
“... uma atitude que pretende ser justa para com o inconsciente e para com o outro não pode depender unicamente do conhecimento, se este consistir apenas em intelecto e intuição. Faltar-lhe- ia a função de valores, a saber, o sentimento e a fonction du réel, ou seja, o levar em consideração a realidade, a sensação. (JUNG.1998)
Realidade, para qual não importa o minuto que passa, mas o minuto que vem. Daí Brás se transportar à origem dos séculos , e se encontrar com a Natureza. O “não espaço”, onde tudo é gelado e mudo, indiferente e estranho ao homem. A proclamação da falta de sentido da existência, a negação do destino do homem:
“Se é preciso pagar pelo caminho errado, o certo também tem seu preço. A natureza se alegra com a natureza, a natureza vence a natureza e a natureza domina a natureza”. (JUNG. 1998:127)
Brás assiste à triste sucessão dos impérios, às eternas paixões que escravizam o homem, a cada geração seguir-se a anterior, e todas elas pontuais na sepultura. A visão da natureza como mãe e inimiga. Mãe porque criou o ser humano, inimiga porque se mantém impassível diante do sofrimento, que só terá fim com a morte. O homem cobiça, persegue quimeras, e é abatido: devora e é devorado, pois seus “instintos não estão em harmonia uns com os outros: exercem violenta pressão uns sobre os outros e tentam eliminar-se reciprocamente . No entanto, segundo a ótica otimista dos antigos, esta luta não tem caráter caótico, mas busca uma ordem superior”.(JUNG.1998:127)
Uma ordem que, segundo Freud só pode ser concebida se pudermos entender que:“A vida tem que completar o seu ciclo de existência. Em todo ser normal, a pulsão de vida é fonte o bastante para contrabalançar a pulsão da morte, embora no final esta se resulte mais forte. Podemos entreter a fantasia de que a morte nos vem por nossa própria vontade. Seria mais possível que pudéssemos vencer a morte, não fosse por seu aliado dentro de nós”. (FREITAS. 2001: 147)
Em sua vida, Brás teve que decorar as orações, pois não lhe faziam sentido. O importante é que ninguém passa as dimensões metafísicas sem ter desenvolvido suas virtudes, resolver o que ficou pendente e ter aprendido a submeter-se à vontade de Deus. A religião não importa, o importante mesmo é cumprir estas etapas e estas se cumprem melhor nos conhecimentos das regras certas a serem respeitadas. Muitas destas estão nas religiões, mas não na prática.
Neste sentido, as palavras de Jung em sua Obra Ab-reação, Análise dos Sonhos, Transferência, também são esclarecedoras:
“Os terríveis documentos do nosso tempo estão aí, à vista de todo mundo. Sua monstruosidade ultrapassa tudo o que nos tempos antigos se esperava conseguir, sem contudo dispor dos meios necessários para tal. Se o inconsciente fosse apenas nefasto, mau – como muitos gostariam que fosse – a situação seria simples e o caminho bem definido; praticar-se-ia o bem e se evitaria o mal. Mas o que é bem e o que é mal? (JUNG.1988:59)
Brás andou por toda a Europa, tendo uma mulher em cada país, não se importando com a responsabilidade de uma relação amorosa. Depois de muito tempo nesta vida de futilidades, voltou para casa (RJ), devido à doença e morte de sua mãe. “ Resolvi trocar as mulheres por minha mãe e a Europa por minha casa”, declara. Seria o momento de mudar ? Visto que,
“na vida humana existem os momentos de virar a página. Aparecem tendências e interesses até então não cultivados; ou se anuncia uma mudança de personalidade (chamada mudança de caráter). (JUNG.1998:50 )
Essas mudanças revistas em sua vida, levou o narrador-defunto a constatar com pessimismo a falência e a degradação dos valores que regem a vida humana. Assume também uma posição de discrença absoluta em relação à saídas religiosas, filosóficas e ideológicas.
Segundo Pedro Sette Câmara em sua Obra, Machado Inconstruído, o pessimismo na obra machadiana não é universal, mas é antes um pessimismo quantitativo, ou seja, um pessimismo em relação a matéria, e que surge apenas em termos contingentes, existenciais, pois o materialismo não deixa de ser uma confusão entre essência e existência.
Ainda segundo o autor, Machado, estava consciente do que fazia, e era certamente pessimista em relação ao intelecto de forma geral, mas de maneira alguma de forma universal. “Ainda que sua época se afundasse em vaidades, ele soube guardar o fundo espiritual, perene, que lhe desse a segurança de navegar em águas turbulentas”.
Contudo, Brás Cubas, em suas observações filosóficas, sugere ao leitor que a sua inteligência está além da mediocridade humana: “Machado de Assis foi o autor brasileiro que introduziu a perspectiva crítica, fazendo da dúvida, do questionamento e da argumentação, uma constante em sua obra. É o discurso persuasivo que pretende ganhar adesão do leitor, pela razão e pela paixão, da impossibilidade do acesso à certeza divina. Tudo é transitório, elativo, finito...” (FREITAS. 2001: 63 – 64)
Brás confessa que a primeira virtude de um defunto é a franqueza, pois, na vida, o olhar de opiniões, a diferença de interesses, a luta das cobiças, nos obrigam a esconder, disfarçar e enganar os outros, ao passo que “na morte, que diferença! Que desabafo! Que liberdade! Será que o ser humano é filosófico por natureza?”
Tais reflexões de Brás Cubas têm a finalidade de entender a vida e a existência humana, buscando dar consistência às suas atitudes. O Humanitismo , por exemplo, filosofia inventada por Quincas Borbas, e que declara o desencanto, e o abandono, afirmando que a vida é um campo de batalha, onde só os mais fortes sobrevivem, demonstra que: “Somente quem conhece os dois lados pode ter compaixão por um deles; somente quem conhece a vida do espírito sabe a que infernos desce o mundo puramente material”.
Ou Machado certamente se utilizar da eternidade em Brás Cubas, o ponto de partida explicitamente metafísico de uma história que começa da consciência do nada e termina no nada, diz Pedro Sette Câmara.
Brás tentou ser político, mas não se deu bem, filiou-se a uma ordem benemérita , visitou cemitérios, velórios, defuntos e ao acaso reencontrou Virgília ( sua amante) no velório do marido Lobo Neves. Uma imensa paixão que também não o levou a nada. Vendo-a, jura tê-la amado verdadeiramente, e , concluiu que ela havia amado realmente o seu marido, pois chorava com sinceridade. A atmosfera lúgubre e macabra, é a marca de uma infelicidade de erros pessoais e sociais. O tempo destrói as ilusões e envelhece as pessoas. Ninguém é sincero ou verdadeiro.
“Quando levantou a cabeça vi que chorava deveras. Ao sair do enterro, abraçou-se ao caixão, aflita; vieram tirá-la e levá-la para dentro. Digo-vos que as lágrimas eram verdadeiras. ...os soluços de Virgília. Os soluços, principalmente, tinham o som vago e misterioso de um problema. Virgília traíra o marido, com sinceridade". (ASSIS. 1978:167 )
Tamanha foi sua decepção, que resolveu entrar de cabeça num negócio, para criar algo do qual ele fosse lembrado eternamente, o “Emplasto Brás Cubas”, o milagre divino, mas que também não deu certo. Como conseqüência desse intento tanta banalidade, “tomou um ventinho” que o levou a uma pneumonia e o matou.
Cobiça, interesse, falsidade e dissimulação foi o que Machado encontrou por trás das máscaras e das convenções sociais: “Nietzche aborda o perigo que ronda o filósofo em sua tentativa de engendrar o artista genial: a melancolia, que brota do reconhecimento de que seus impulsos não têm onde se manifestar, de que sua época é fraca e alheia aos seus anseios, de que ele não possui os meios certos”. (NIETZSCHE.1988:07)
De sua vida ele concluiu: ‘não alcancei a celebridade, não fui ministro, não conheci o casamento, e não comprei o pão com o suor do meu rosto’. Filho de família abastada, nunca precisou ‘suar a camisa’ para garantir seu sustento. Pensou em ingressar na política, mas não teve êxito. Limitava-se a aproveitar a vida:
“Vivemos numa época de conturbação e desintegração. Tudo tornou-se problemático. Como costuma acontecer em certas circunstâncias, conteúdos do inconsciente forçam passagem para as fronteiras da consciência com a finalidade de compensar a situação de emergência. Vale a pena, pois, examinar minuciosamente todos os fenômenos-limites por mais obscuros que possam parecer, a fim de descobrir neles os germes de uma nova ordem possível.” (JUNG. 1998:186)
Somando as positivas e as negativas, Brás saiu quite com a vida. Teve saldo positivo porque não teve filhos, não transmitiu a nenhuma criatura , o legado de nossa miséria. Com esta exclamação a personagem deixa claro, que ao menos, não teve que deixar a outros de sua linha genética, o exemplo de ter sido tão vazio e improdutivo em toda a sua existência.
“ O fenômeno da transferência é, sem dúvida alguma, uma das síndromes mais importantes e decisivas do processo de individuação e significa mais que uma simples atração e repulsa de ordem pessoal. Graças a seus conteúdos e símbolos coletivos, ele ultrapassa de longe a pessoa, e atinge a esfera social, trazendo-nos a memória aqueles contextos humanos superiores, que, por doloroso que seja faltam à nossa ordem, ou melhor, à desordem social dos nossos dias. Os símbolos do círculo e da quaternidade, tão característicos do processo da individuação, remetem-nos, por um lado, ao passado, a uma ordem originária primitiva da sociedade humana e, por outro, apontam para o futuro, rumo a uma ordem interior da alma, como se esta fosse o instrumento indispensável à reorganização da comunidade cultural, em oposição às organizações coletivas tão apreciadas hoje em dia, as quais constituem um agregado de seres semi-humanos, inacabados e imaturos.” (JUNG. 1998: 186-187)
De nada vale a vida se for vivida somente para a matéria, pois ela fica. O que faz o homem ser lembrado eternamente é a boa obra que desenvolveu na vida e não a boa vida que ele teve. Machado de Assis com Brás Cubas satirizou um mundo que nos incentiva a conhecer tudo, menos o essencial. Brás Cubas evoluiu por si mesmo e compreendeu depois de morto o engano que sofreu, visto que o ser humano vive na terra para progredir e se tornar útil; e, para alcançar este objetivo, está sujeito às leis físicas e metafísicas para assim demonstrar que entendeu o contexto, e realizar da sua vida uma boa obra, que passa a favorecer o progresso comunitário:
“O homem massificado , contudo não tem valor; é uma simples partícula que perdeu sua alma, isto é, o sentido de sua humanidade.
Não há vida nova que possa surgir, diziam os alquimistas, sem que antes morra a velha. Do mesmo modo, comparam sua obra à morte do homem sem a qual a vida nova, a vida eterna não pode ser alcançada”.(JUNG.1998 :187 )
Brás Cubas transferiu sua auto-análise pós vida, pois tinha o início e o fim de uma história. A história de sua própria vida.
CONCLUSÃO
Memórias Póstumas, mais do que um título é uma metáfora do fracasso da existência. Atual, a obra tratou dos problemas da vida e da morte, do inexplicável, através de Brás Cubas representando Machado de Assis.
Na simbologia do círculo, Machado e Brás, deixam-nos a evidência da imortalidade da alma.
Você deve estar se perguntando, o que a Natureza tem a ver com tudo isso?
T U D O .
A posição que alcançou, em um país que ainda era uma monarquia escravocrata, durante parte de sua vida, é apenas uma das incontáveis façanhas deste gênio das letras brasileiras. Seu espírito decidido e seu poder criativo conseguiram levá-lo do Morro à Academia Brasileira de Letras, instituição da qual foi um dos fundadores e presidente perpétuo. Viveu o fim do Romantismo e o começo do Realismo. Seus romances de forma realista demonstra a sua vocação verdadeira: contar a essência do homem em sua precariedade existencial. Do ponto de vista humano Machado de Assis, em sua obra Memórias Póstumas de Brás Cubas desnuda a natureza humana. A vida vem à tona nas frustrações, nos rancores, nas vaidades, nos ciúmes, nos desvios de personalidade, na mesquinhez do caráter e nas atitudes e sentimentos denunciadores da pequenez humana. Afinal, qual a condição humana? Que papel tem o homem na vida? A existência humana leva-nos a que destino?
“A revolução dessa Obra, que parece cavar um fosso entre dois mundos, foi uma revolução ideológica e formal: aprofundando o desprezo às idealizações românticas e ferindo no cerne o mito do narrador onisciente, que tudo vê e tudo julga, deixou emergir a consciência nua do indivíduo, fraco e incoerente. O que restou foram as memórias de um homem igual a tantos outros, o cauto e desfrutador Brás Cubas”. ( BOSI, 1987:177)
As palavras de Alfredo Bosi em sua Obra História Concisa da Literatura Brasileira afirmam que as bases filosóficas da segunda metade do século XIX, estão baseadas no Determinismo, no Positivismo e no Evolucionismo, e evidenciam inéditas observações sobre o comportamento humano. A arte então passa a ser a representação metafórica da História, apresentando por sua vez, novos paradigmas, reunidos sob o nome de Realismo.
No plano sócio-econômico, a burguesia conquistará definitivamente o poder. O desenvolvimento científico, materialista e racional substituirá o idealismo e o tradicionalismo, mostrando-se no crescimento das cidades, na instalação de fábricas, na utilização de novas formas de energia e em maneiras de viver que, se por um lado revelam um grupo social em flagrante progresso, por outro lado deixam à mostra o vazio da existência humana.
Quando Machado de Assis escreveu Memórias Póstumas de Brás Cubas fez um livro da época. O defunto narra uma história em 1881, que ocorreu em 1969. Ele consegue trazer para o presente uma história do passado. Quanto ao delírio de morte Brás Cubas encontra-se com a Mãe Natureza e esta lhe cobra ...levando-o até ao início dos tempos..."para o tempo não importa o minuto que passa, mas o minuto que vem..."
Incrível a consciência, a evolução deste ser humano. Ele consegue demonstrar isso através de situações vividas pela pernonagem mas que na realidade é dele próprio.Uma vida medíocre, cheia de insucessos e de pouco valor no que diz respeito à moralidade e evolução como ‘ser humano’. Brás Cubas não teve nenhum trabalho digno, pelo simples fato de ter dinheiro e estar sempre ocupado com sua(s) amante(s), que não tenham nenhuma moral. Já no início , se diz um defunto autor.
Quando se dá conta de que havia morrido, sente ‘frio’ , o que o leva até o início dos fins. A visão de que a vida termine com a morte. Mas como? Se ainda existem memórias após cem anos? E se existe o fim, onde começa o início? E é a partir da morte, que Brás Cubas consegue analisar toda sua vida de maneira crítica e muitas vezes bem-humorada, pois:
“... uma atitude que pretende ser justa para com o inconsciente e para com o outro não pode depender unicamente do conhecimento, se este consistir apenas em intelecto e intuição. Faltar-lhe- ia a função de valores, a saber, o sentimento e a fonction du réel, ou seja, o levar em consideração a realidade, a sensação. (JUNG.1998)
Realidade, para qual não importa o minuto que passa, mas o minuto que vem. Daí Brás se transportar à origem dos séculos , e se encontrar com a Natureza. O “não espaço”, onde tudo é gelado e mudo, indiferente e estranho ao homem. A proclamação da falta de sentido da existência, a negação do destino do homem:
“Se é preciso pagar pelo caminho errado, o certo também tem seu preço. A natureza se alegra com a natureza, a natureza vence a natureza e a natureza domina a natureza”. (JUNG. 1998:127)
Brás assiste à triste sucessão dos impérios, às eternas paixões que escravizam o homem, a cada geração seguir-se a anterior, e todas elas pontuais na sepultura. A visão da natureza como mãe e inimiga. Mãe porque criou o ser humano, inimiga porque se mantém impassível diante do sofrimento, que só terá fim com a morte. O homem cobiça, persegue quimeras, e é abatido: devora e é devorado, pois seus “instintos não estão em harmonia uns com os outros: exercem violenta pressão uns sobre os outros e tentam eliminar-se reciprocamente . No entanto, segundo a ótica otimista dos antigos, esta luta não tem caráter caótico, mas busca uma ordem superior”.(JUNG.1998:127)
Uma ordem que, segundo Freud só pode ser concebida se pudermos entender que:“A vida tem que completar o seu ciclo de existência. Em todo ser normal, a pulsão de vida é fonte o bastante para contrabalançar a pulsão da morte, embora no final esta se resulte mais forte. Podemos entreter a fantasia de que a morte nos vem por nossa própria vontade. Seria mais possível que pudéssemos vencer a morte, não fosse por seu aliado dentro de nós”. (FREITAS. 2001: 147)
Em sua vida, Brás teve que decorar as orações, pois não lhe faziam sentido. O importante é que ninguém passa as dimensões metafísicas sem ter desenvolvido suas virtudes, resolver o que ficou pendente e ter aprendido a submeter-se à vontade de Deus. A religião não importa, o importante mesmo é cumprir estas etapas e estas se cumprem melhor nos conhecimentos das regras certas a serem respeitadas. Muitas destas estão nas religiões, mas não na prática.
Neste sentido, as palavras de Jung em sua Obra Ab-reação, Análise dos Sonhos, Transferência, também são esclarecedoras:
“Os terríveis documentos do nosso tempo estão aí, à vista de todo mundo. Sua monstruosidade ultrapassa tudo o que nos tempos antigos se esperava conseguir, sem contudo dispor dos meios necessários para tal. Se o inconsciente fosse apenas nefasto, mau – como muitos gostariam que fosse – a situação seria simples e o caminho bem definido; praticar-se-ia o bem e se evitaria o mal. Mas o que é bem e o que é mal? (JUNG.1988:59)
Brás andou por toda a Europa, tendo uma mulher em cada país, não se importando com a responsabilidade de uma relação amorosa. Depois de muito tempo nesta vida de futilidades, voltou para casa (RJ), devido à doença e morte de sua mãe. “ Resolvi trocar as mulheres por minha mãe e a Europa por minha casa”, declara. Seria o momento de mudar ? Visto que,
“na vida humana existem os momentos de virar a página. Aparecem tendências e interesses até então não cultivados; ou se anuncia uma mudança de personalidade (chamada mudança de caráter). (JUNG.1998:50 )
Essas mudanças revistas em sua vida, levou o narrador-defunto a constatar com pessimismo a falência e a degradação dos valores que regem a vida humana. Assume também uma posição de discrença absoluta em relação à saídas religiosas, filosóficas e ideológicas.
Segundo Pedro Sette Câmara em sua Obra, Machado Inconstruído, o pessimismo na obra machadiana não é universal, mas é antes um pessimismo quantitativo, ou seja, um pessimismo em relação a matéria, e que surge apenas em termos contingentes, existenciais, pois o materialismo não deixa de ser uma confusão entre essência e existência.
Ainda segundo o autor, Machado, estava consciente do que fazia, e era certamente pessimista em relação ao intelecto de forma geral, mas de maneira alguma de forma universal. “Ainda que sua época se afundasse em vaidades, ele soube guardar o fundo espiritual, perene, que lhe desse a segurança de navegar em águas turbulentas”.
Contudo, Brás Cubas, em suas observações filosóficas, sugere ao leitor que a sua inteligência está além da mediocridade humana: “Machado de Assis foi o autor brasileiro que introduziu a perspectiva crítica, fazendo da dúvida, do questionamento e da argumentação, uma constante em sua obra. É o discurso persuasivo que pretende ganhar adesão do leitor, pela razão e pela paixão, da impossibilidade do acesso à certeza divina. Tudo é transitório, elativo, finito...” (FREITAS. 2001: 63 – 64)
Brás confessa que a primeira virtude de um defunto é a franqueza, pois, na vida, o olhar de opiniões, a diferença de interesses, a luta das cobiças, nos obrigam a esconder, disfarçar e enganar os outros, ao passo que “na morte, que diferença! Que desabafo! Que liberdade! Será que o ser humano é filosófico por natureza?”
Tais reflexões de Brás Cubas têm a finalidade de entender a vida e a existência humana, buscando dar consistência às suas atitudes. O Humanitismo , por exemplo, filosofia inventada por Quincas Borbas, e que declara o desencanto, e o abandono, afirmando que a vida é um campo de batalha, onde só os mais fortes sobrevivem, demonstra que: “Somente quem conhece os dois lados pode ter compaixão por um deles; somente quem conhece a vida do espírito sabe a que infernos desce o mundo puramente material”.
Ou Machado certamente se utilizar da eternidade em Brás Cubas, o ponto de partida explicitamente metafísico de uma história que começa da consciência do nada e termina no nada, diz Pedro Sette Câmara.
Brás tentou ser político, mas não se deu bem, filiou-se a uma ordem benemérita , visitou cemitérios, velórios, defuntos e ao acaso reencontrou Virgília ( sua amante) no velório do marido Lobo Neves. Uma imensa paixão que também não o levou a nada. Vendo-a, jura tê-la amado verdadeiramente, e , concluiu que ela havia amado realmente o seu marido, pois chorava com sinceridade. A atmosfera lúgubre e macabra, é a marca de uma infelicidade de erros pessoais e sociais. O tempo destrói as ilusões e envelhece as pessoas. Ninguém é sincero ou verdadeiro.
“Quando levantou a cabeça vi que chorava deveras. Ao sair do enterro, abraçou-se ao caixão, aflita; vieram tirá-la e levá-la para dentro. Digo-vos que as lágrimas eram verdadeiras. ...os soluços de Virgília. Os soluços, principalmente, tinham o som vago e misterioso de um problema. Virgília traíra o marido, com sinceridade". (ASSIS. 1978:167 )
Tamanha foi sua decepção, que resolveu entrar de cabeça num negócio, para criar algo do qual ele fosse lembrado eternamente, o “Emplasto Brás Cubas”, o milagre divino, mas que também não deu certo. Como conseqüência desse intento tanta banalidade, “tomou um ventinho” que o levou a uma pneumonia e o matou.
Cobiça, interesse, falsidade e dissimulação foi o que Machado encontrou por trás das máscaras e das convenções sociais: “Nietzche aborda o perigo que ronda o filósofo em sua tentativa de engendrar o artista genial: a melancolia, que brota do reconhecimento de que seus impulsos não têm onde se manifestar, de que sua época é fraca e alheia aos seus anseios, de que ele não possui os meios certos”. (NIETZSCHE.1988:07)
De sua vida ele concluiu: ‘não alcancei a celebridade, não fui ministro, não conheci o casamento, e não comprei o pão com o suor do meu rosto’. Filho de família abastada, nunca precisou ‘suar a camisa’ para garantir seu sustento. Pensou em ingressar na política, mas não teve êxito. Limitava-se a aproveitar a vida:
“Vivemos numa época de conturbação e desintegração. Tudo tornou-se problemático. Como costuma acontecer em certas circunstâncias, conteúdos do inconsciente forçam passagem para as fronteiras da consciência com a finalidade de compensar a situação de emergência. Vale a pena, pois, examinar minuciosamente todos os fenômenos-limites por mais obscuros que possam parecer, a fim de descobrir neles os germes de uma nova ordem possível.” (JUNG. 1998:186)
Somando as positivas e as negativas, Brás saiu quite com a vida. Teve saldo positivo porque não teve filhos, não transmitiu a nenhuma criatura , o legado de nossa miséria. Com esta exclamação a personagem deixa claro, que ao menos, não teve que deixar a outros de sua linha genética, o exemplo de ter sido tão vazio e improdutivo em toda a sua existência.
“ O fenômeno da transferência é, sem dúvida alguma, uma das síndromes mais importantes e decisivas do processo de individuação e significa mais que uma simples atração e repulsa de ordem pessoal. Graças a seus conteúdos e símbolos coletivos, ele ultrapassa de longe a pessoa, e atinge a esfera social, trazendo-nos a memória aqueles contextos humanos superiores, que, por doloroso que seja faltam à nossa ordem, ou melhor, à desordem social dos nossos dias. Os símbolos do círculo e da quaternidade, tão característicos do processo da individuação, remetem-nos, por um lado, ao passado, a uma ordem originária primitiva da sociedade humana e, por outro, apontam para o futuro, rumo a uma ordem interior da alma, como se esta fosse o instrumento indispensável à reorganização da comunidade cultural, em oposição às organizações coletivas tão apreciadas hoje em dia, as quais constituem um agregado de seres semi-humanos, inacabados e imaturos.” (JUNG. 1998: 186-187)
De nada vale a vida se for vivida somente para a matéria, pois ela fica. O que faz o homem ser lembrado eternamente é a boa obra que desenvolveu na vida e não a boa vida que ele teve. Machado de Assis com Brás Cubas satirizou um mundo que nos incentiva a conhecer tudo, menos o essencial. Brás Cubas evoluiu por si mesmo e compreendeu depois de morto o engano que sofreu, visto que o ser humano vive na terra para progredir e se tornar útil; e, para alcançar este objetivo, está sujeito às leis físicas e metafísicas para assim demonstrar que entendeu o contexto, e realizar da sua vida uma boa obra, que passa a favorecer o progresso comunitário:
“O homem massificado , contudo não tem valor; é uma simples partícula que perdeu sua alma, isto é, o sentido de sua humanidade.
Não há vida nova que possa surgir, diziam os alquimistas, sem que antes morra a velha. Do mesmo modo, comparam sua obra à morte do homem sem a qual a vida nova, a vida eterna não pode ser alcançada”.(JUNG.1998 :187 )
Brás Cubas transferiu sua auto-análise pós vida, pois tinha o início e o fim de uma história. A história de sua própria vida.
CONCLUSÃO
Memórias Póstumas, mais do que um título é uma metáfora do fracasso da existência. Atual, a obra tratou dos problemas da vida e da morte, do inexplicável, através de Brás Cubas representando Machado de Assis.
Na simbologia do círculo, Machado e Brás, deixam-nos a evidência da imortalidade da alma.
Você deve estar se perguntando, o que a Natureza tem a ver com tudo isso?
T U D O .
Madomare
sexta-feira, 4 de janeiro de 2008
Planeta Extra-solar
Quem diria... jamais imaginei ver uma cena dessas: o nascimento de um planeta extra-solar! Linda a imagem! E como tudo começa e termina no mesmo ponto como num círculo, eis aí a prova de toda a existência humana.
" Nascer, morrer, renascer ainda, e progredir sempre. Tal é a lei"
Dez coisas que levei anos para aprender.** (Luís Fernando Veríssimo)*** 1. Uma pessoa que é boa com você, mas grosseira com o garçom, não pode ser uma boa pessoa. (Esta é muito importante. Preste atenção. Nunca falha!).* 2. As pessoas que querem compartilhar as visões religiosas delas com você, quase nunca querem que você compartilhe as suas com elas. *3. Ninguém liga se você não sabe dançar. Levante e dance.*4. A força mais destrutiva do universo é a fofoca.*5. Não confunda nunca sua carreira com sua vida.*6. Jamais, sob quaisquer circunstâncias, tome um remédio para dormir e um laxante na mesma noite.*7. Se você tivesse que identificar, em uma palavra, a razão pela qual a raça humana ainda não atingiu (e nunca atingirá) todo o seu potencial, essa palavra seria "reuniões". *8. Há uma linha muito tênue entre "hobby" e "doença mental".*9. Seus amigos de verdade amam você de qualquer jeito. (essa é a melhor de todas).* 10. Nunca tenha medo de tentar algo novo. Lembre-se de que um amador solitário construiu a Arca. Um grande grupo de profissionais construiu o Titanic.** Quero, um dia, poder dizer às pessoas que nada foi em vão... que o AMOR existe, que vale a pena se doar às amizades a às pessoas, que a vida é bela sim, e que eu sempre dei o melhor de mim... e que valeu a pena!!!*
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As meninas
Minhas meninas...meus amores
FERNANDO, JOAQUIM, ...grandes pensadores
Fernando Antonio Nogueira Pessoa (1888-1935, Lisboa), poeta e escritor português. Pessoa é considerado junto de Luís Vaz de Camões um dos mais importantes poetas de Língua Portuguesa.
“Amo como ama o amor. Não conheço nenhuma outra razão para amar senão amar. Que queres que te diga, além de que te amo, se o que quero dizer-te é que te amo?”
“As vezes ouço passar o vento; e só de ouvir o vento passar, vale a pena ter nascido.”. “Para viajar basta existir.”
“Tenho em mim todos os sonhos do mundo.”
“Tudo vale a pena quando a alma não é pequena”
"O valor das coisas não está no tempo
em que elas duram, mas
na intensidade com que acontecem.
Por isso existem momentos
inesquecíveis,coisas inexplicáveis
e pessoas incomparáveis".
(Fernando Pessoa)
"O que se precisa para ser feliz? Trabalho e amor." [Sigmund Freud]
"Um país se faz com homens e livros". (Monteiro Lobato)
SAI - AMA - 2007
"O tempo é o campo do desenvolvimento humano." [Karl Marx]
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Um país se faz com homens e livros
Hora da Leitura AHSS 2007
Para a treva só há um remédio, a luz.
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"Liberdade é uma palavra que o sonho humano alimenta, não há ninguém que explique e ninguém que não entenda." [Cecília Meireles]
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O olho do homem serve de fotografia ao invisível, como o ouvido serve de eco ao silêncio. (Esaú e Jacó)
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"Descobri que a leitura é uma forma servil de sonhar. Se tenho de sonhar, porque não sonhar os meus próprios sonhos? " [Fernando Pessoa]
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Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina. (Cora Coralina)
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O nascimento de um planeta extra-solar recém-nascido ainda preso pelo cordão umbilical à sua estrela-mãe.